Onze dos 12 militares da Força Aérea, detidos na terça-feira por suspeita de corrupção, ficaram esta quarta-feira em prisão preventiva, por decisão judicial. Entre os militares que ficaram em prisão preventiva está o major-general Raúl Milhais de Carvalho, que controlava as compras para as bases militares. O 12º militar, um sargento, vai aguardar com pulseira eletrónica.

Aos quatro empresários, que também foram detidos na terça-feira no âmbito da segunda fase da "Operação ZEUS" desencadeada pela PJ, foram aplicadas medidas de coação menos gravosas. Os empresários do setor alimentar ficaram sujeitos a apresentações periódicas às autoridades e proibidos de contactar com instituições militares.

As medidas de coação foram conhecidas ao final da noite de quarta-feira e após um longo interrogatório judicial no Campus da Justiça, em Lisboa.

Além do major-general, que controlava as compras para as bases militares, um coronel, um tenente-coronel e um major estão entre os detidos por corrupção, abuso de poder e falsificação de documentos na comercialização de géneros alimentícios nas messes da Força Aérea.

Entre os 16 detidos constam ainda três capitães e cinco sargentos, além dos quatro empresários do ramo alimentar.

De acordo com a PJ, os suspeitos estavam envolvidos num esquema de sobrefaturação de bens e matérias-primas para a confeção de refeições nas messes da Força Aérea.

Na primeira fase da "Operação ZEUS", em novembro de 2016, foram detidos cinco homens por corrupção ativa e passiva para ato ilícito e falsificação de documentos, num “esquema fraudulento que poderá ter lesado o Estado em cerca de dez milhões de euros”.

Nesta segunda fase da operação, participaram 130 elementos da PJ e dez procuradores do Ministério Público, tendo sido realizadas 36 buscas nas áreas dos distritos de Lisboa, Porto, Santarém, Setúbal, Évora e Faro, das quais 31 domiciliárias e cinco não domiciliárias.

O inquérito é dirigido pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa e envolve elementos da Unidade Nacional de Combate à Corrupção (UNCC), que continuam na recolha de prova.