A GNR elevou esta segunda-feira para 1.730 o número de viaturas apreendidas na "Operação Medusa”, na semana passada, durante a qual apreendeu também armas, dinheiro e material informático usado num "esquema fraudulento de insolvência de empresas".

A operação resultou em 30 arguidos, homens e mulheres, que se encontram com Termo de Identidade e Residência (TIR), mas houve igualmente empresas que foram constituídas arguidas, revelaram os oficiais da GNR que apresentaram esta segunda-feira à Comunicação Social os resultados de um processo ainda em investigação.

De acordo com a GNR, havia uma ação concertada por parte de grupos organizados para provocar a delapidação do património das empresas e a sua insolvência, usando “um testa de ferro” que por vezes atuava com a conivência dos responsáveis das entidades investigadas.

No domingo, a GNR anunciou a apreensão de milhares de documentos e mais de 1.400 viaturas, um número que agora atualizou para 1.730, entre ligeiros e pesados, devido à chegada de novos dados.

Como o processo de investigação continua a decorrer, não foram fornecidos mais detalhes de um caso que incide na investigação da aquisição e comercialização de automóveis.

Foi apenas adiantado que há bancos lesados, além de outros credores. De acordo com a GNR, o caso tem “um impacto social grande em muitas famílias”.

Foram investigadas 91 empresas e apreendido um valor estimado em 44 milhões de euros, em que se incluem quantias em diferentes moedas: dólares, euros e francos.

Os arguidos são suspeitos de “associação criminosa, abuso de confiança qualificada, frustração de créditos, burla tributária, fraude fiscal qualificada, branqueamento de capitais e falsificação de documentos".

As buscas decorreram a 01, 02 e 03 de julho passado.

A "Operação Medusa" envolveu diligências nos distritos de Lisboa, Santarém, Setúbal e Faro, para investigar matérias relacionadas com a aquisição e comercialização de veículos automóveis, envolvendo um grupo de cerca de 30 pessoas singulares e de 70 pessoas coletivas que, desde 2013, desenvolviam a atividade de compra e venda de viaturas penhoradas, de veículos com pedidos de apreensão ativos ou fazendo parte de massa insolvente de sociedades terceiras.

Estiveram envolvidos na operação 387 elementos, dos quais 339 militares da GNR, incluindo os comandos territoriais de Santarém, Setúbal, Lisboa e Leiria, e 48 inspetores da Autoridade Tributária e Aduaneira, além de dois magistrados judiciais e dois magistrados do Ministério Público, que participaram nas buscas.