Lourenço, o “bebé-milagre” que assim foi apelidado por nascer de uma mãe em morte cerebral, completa quarta-feira um ano e a sua evolução clínica tem sido “normal”, continuando esta gestação a ser um caso inédito na medicina portuguesa.

A criança nasceu a 7 de junho do ano passado, com 2,350 quilos, depois de uma gestação de 32 semanas com a mãe em morte cerebral desde o dia 20 de fevereiro de 2016.

O caso, inédito em Portugal e raro no mundo, foi divulgado em conferência de imprensa da unidade de saúde que o realizou, o Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC), a cuja equipa o Presidente da República deu os parabéns.

A mãe da criança, 37 anos, sofreu uma hemorragia intracerebral no dia 20 de fevereiro, grávida de 17 semanas de um feto que se revelou viável.

Perante este quadro, e segundo revelou o CHLC aquando do anúncio do nascimento do Lourenço, esta unidade de saúde solicitou ao Ministério Público que tutelasse a vida do bebé, o que foi aceite, transformando este caso também inédito do ponto de vista legal.

O bebé foi internado na Maternidade Alfredo da Costa (MAC), que pertence ao CHLC, rodeado da máxima atenção.

Teresa Tomé, chefe da unidade de Neonatologia desta instituição, disse à agência Lusa que “o Lourenço teve uma evolução de acordo com a sua idade gestacional”.

Na altura do seu nascimento existiam muitas dúvidas sobre as sequelas que este tipo de gestação poderia deixar na criança, nomeadamente o facto de ter deixado de ouvir a voz da mãe às 20 semanas.

Um ano depois, esta especialista adiantou que a criança tem sido observada na consulta externa da instituição e, “até ao momento, os exames efetuados e a evolução clínica têm sido normais”.

“É um facto invulgar, sobretudo também pelo suporte conseguido à mãe e pela boa evolução do recém nascido”, afirmou.

A mãe tinha manifestado vontade de levar avante a gravidez, caso algo lhe acontecesse, e a manutenção da gravidez foi decidida após um parecer nesse sentido da Comissão de Ética e Direção Clínica do CHLC, em conjunto com a decisão da família da mãe e da família paterna da criança.

Até ao momento, não se registou um Portugal outro caso semelhante.