Investigadores da Universidade do Porto participam num estudo europeu sobre a interação dos educadores de infância e as crianças, com o objetivo de verificar qual o impacto no seu desenvolvimento e na sua autorregulação.

As crianças desenvolvem as competências essenciais para o sucesso social e escolar através de interações com adultos, pares e atividades de aprendizagem que decorrem em centros de educação e cuidados para a infância", indicou à Lusa Joana Cadima, coordenadora do projeto QualityMatters.

De acordo com a investigadora da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, as interações entre o educador e as crianças são fundamentais, nomeadamente a forma como comunicam, se têm uma relação próxima e carinhosa, se são responsáveis e cognitivamente estimulantes.

A investigação desenrola-se em Portugal, na Polónia, na Holanda e na Finlândia.

O facto de ser realizado em quatro países diferentes "aumenta a variabilidade nos modelos das atividades e a possibilidade de verificar os diferentes formatos que as interações assumem", explicou Joana Cadima.

Para a investigadora, apesar de a creche e o jardim-de-infância serem ricos na forma como fazem variar os formatos de aprendizagem, através do recurso a pequenos e grandes grupos, ao jogo livre e às rotinas, por exemplo, "há pouca investigação que permite compreender se estes formatos têm impacto nas interações".

Na Finlândia e na Holanda, por exemplo, as crianças passam a maioria do tempo em pequeno grupo, enquanto na Polónia e em Portugal é mais comum o grande grupo, podendo estar presentes vários adultos.

O primeiro estudo, no qual vão ser observadas 30 salas de creches por país, vai avaliar em que medida as interações com pares e educadoras na sala variam de acordo com a estrutura e formato das atividades, tendo em consideração as regulações de cada estado.

Na segunda fase do trabalho, realizado só em Portugal, vão ser examinadas as condições sob as quais a qualidade das interações influencia o desenvolvimento da autorregulação (controlo) comportamental e emocional das crianças.

Pretende-se "analisar e compreender os efeitos sinérgicos e compensatórios entre as relações educadora - crianças e pares, e em que medida estes efeitos são moderados por atividades específicas".

O QualityMatters, que começou em junho de 2016, finaliza em maio de 2019 e foi financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, no valor de 180 mil euros.

Este trabalho surge no âmbito do CARE, projeto europeu que conta com a participação de 11 países e termina no fim de 2016, tendo sido financiado pela Comissão Europeia.

Para além de Joana Cadima, a equipa de investigação portuguesa conta com a colaboração das investigadoras Clara Barata, da Universidade de Coimbra, e Cecília Aguiar, do Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL).