O Instituto de Avaliação Educativa (IAVE) criticou professores corretores dos testes Key for Schools, por não estarem a corrigir provas suficientes, e avisa que só terão direito aos programas de formação os que cumprirem «critérios mínimos» de participação.

Os diretores das escolas receberam, na quinta-feira, uma informação do IAVE, alertando para a baixa participação dos professores, no processo de avaliação da prova desenvolvida pela Universidade de Cambrigde.

Na carta enviada às escolas, o IAVE veio dizer que apenas 400 docentes «têm cumprido com regularidade e elevado sentido de responsabilidade as funções de classificação».

Os restantes, de um total de 800 responsáveis pela correção das 121 mil provas realizadas em abril, têm-se «mantido ausentes do processo» ou têm tido uma «participação pontual e sem expressão quantitativa, tendo em conta o número total e itens a classificar», lê-se na carta daquele organismo enviada às escolas.

O IAVE decidiu, por isso, que a formação prometida só será dada a quem «cumprir critérios mínimos»: «Não podemos pactuar com a situação de desigual envolvimento referida, não sendo justificável premiá-la de igual modo, este Instituto irá avaliar, no final do processo, o nível de participação dos classificadores, pelo que o acesso ao programa de formação (...) será concedido desde que cumpridos critérios mínimos de participação no processo de classificação», lê-se na missiva do IAVE.

No início do processo, o universo de professores voluntários para a correção ascendia a 1.091, mas muitos acabaram por desistir, ficando cerca de 800 professores responsáveis pela correção das provas realizadas em abril, como revelou o IAVE, no início do mês, quando comunicou o adiamento da publicação dos resultados das provas de inglês, prevista para 04 de junho.

Para o presidente da Associação Portuguesa de Professores de Inglês (APPI), Alberto Gaspar, esta situação é o resultado de falta de tempo para informar pais e alunos e «dar formação adequada» aos professores: «Foi um erro, o ministério anunciar a medida em setembro e decidir aplicá-la no mesmo ano».

A favor da ideia de se premiar quem trabalha, Alberto Gaspar criticou, no entanto, «o teor do documento [do IAVE] e o tom com que é dito que quem não corrigir as provas não terá direito a formação e certificado». «Tudo isto seria evitável, se fosse feito com tempo».

De acordo com o IAVE, o processo de avaliação tem de «estar terminado impreterivelmente» até 15 de junho, um prazo que seria facilmente cumprido num «quadro de participação equitativa» dos docentes.

À Lusa, o gabinete de imprensa do IAVE disse que «o acesso diário [de todos os professores] de cerca de 20 minutos seria suficiente para que o processo já estivesse concluído».

«Porém, no contexto atual, a sobrecarga de trabalho que recai sobre os que têm assegurado a classificação será da ordem de uma hora diária», estima aquele instituto.

Na carta enviada às escolas, o IAVE pediu a participação dos diretores no sentido de tentar mobilizar os seus docentes para o processo de avaliação.

«É no mínimo deselegante a forma como o IAVE está a tratar os professores, esquecendo-se que o próprio Cambrigde também ajudou a atrasar todo o processo, já que o sistema esteve em baixo durante três ou quatro dias», afirmou o vice-presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, Filinto Lima, lembrando que estas provas são corrigidas nos computadores.

Filinto Lima também considera que «este projeto é importante para os alunos», mas critica o facto de o processo ter começado tarde.

A carta do instituto, na perspetiva de Filinto Lima, «vai passar uma má imagem dos professores e isto deve-se essencialmente ao mau planeamento do IAVE, que não conduziu o processo da melhor maneira».