O número de crianças e jovens apoiados em Portugal pela Assistência Médica Internacional (AMI) triplicou entre 2008 e 2014, passando de 1.155 para 3.886, segundo dados divulgados esta quarta-feira pela organização.

Em 2008 as crianças até aos 16 anos representavam 15% da população apoiada nos 17 equipamentos sociais da AMI (7.702) e em 2014 esta percentagem aumentou para 27% do total das pessoas ajudadas (14.393), adianta o Relatório de Atividades e Contas 2014 da AMI.

Além do “aumento significativo” no número de crianças apoiadas, a AMI verificou também uma subida da população jovem: Em 2008, apenas 30% tinham menos de 30 anos, percentagem que subiu para 47% em 2014, o que remete para “um perfil cada vez mais jovem” de quem procura a organização.

Em média, a AMI registou 326 novos casos de pobreza por mês em 2014, ano em que 3.916 pessoas procuraram pela primeira vez apoio, menos 996 face a 2013.

A precariedade financeira (81%) e o desemprego (60%) foram os principais motivos que levaram à procura de ajuda, seguindo-se a doença (23%), os problemas familiares (18%) e os problemas relacionados com saúde mental e a falta de habitação/alojamento (7% cada).

As mulheres (51%) são quem mais procura apoio, e os escalões etários com maior peso continuam a situar-se entre os 30 e os 59 anos (43%).

Segundo o relatório, a baixa escolaridade continua a ser uma característica dominante, sendo que 54% têm o 1º ou 2º ciclo, 20% o 3º ciclo e 8,5% o ensino secundário.

Contudo, foi registado um aumento de 38% do número de pessoas com habilitações ao nível do ensino médio/superior (183 em 2008 e 253 em 2014), sendo que destas, 164 têm uma licenciatura ou uma habilitação superior (mestrado 11, doutoramento 1).

Há ainda 6% que não têm qualquer grau de escolaridade, uma percentagem que caiu para metade face a 2008 (12%), a maioria (68%) são mulheres.

Os dados apontam também que 69% da população beneficiária não tem qualquer formação profissional e 21% não tem qualquer rendimento formal.

Os recursos económicos de 69% da população provêm sobretudo de apoios sociais, como o Rendimento Social de Inserção (23%), pensões, reformas, subsídios e apoios institucionais (19% cada), e rendimentos de trabalho (17%), mas que são “precários e insuficientes”.

Muitas destas pessoas (41%) pedem apoio à família e aos amigos (2%), que “têm um papel importante no acesso a alguns recursos (géneros alimentares, habitação e dinheiro)”, e 2% recorrem à mendicidade.

Da população apoiada, 29% têm filhos. Dos que vivem sozinhos (21%), a maioria são homens (56%).

A maioria (66%) mora em casa alugada e 13% têm habitação própria, sendo que 381 pessoas, menos 8% que em 2013, não têm água canalizada ou têm de forma ilegal, 660 (mais 5% face a 2013) não têm luz ou têm ilegalmente.

Há ainda 95 (menos 8% relativamente a 2013) que não têm ligação à rede de esgotos, 106 não têm cozinha (destas, 18 têm acesso a cozinha coletiva), 90 não têm retrete (14 têm acesso a retrete coletiva).

As despesas mensais com rendas ou amortizações de 2.308 pessoas (16%) são inferiores a 100 euros, referem os dados, acrescentado que 684 pessoas relataram situações de endividamento por rendas em atraso ou crédito à habitação que não conseguem cumprir

Desde que abriu o primeiro Centro Porta Amiga em Portugal em 1994, a AMI já apoio 64.317 pessoas em situação de pobreza, como apurou a Lusa.