O diretor jurídico do Benfica Paulo Gonçalves foi detido, nesta manhã, pela Polícia Judiciária, no âmbito do "caso dos emails", confirmou a TVI junto de fontes policiais.

Durante a manhã e grande parte da tarde, decorreram buscas no Estádio da Luz e Paulo Gonçalves acompanhou essas buscas. 

No total, foram realizadas perto de 30 buscas nas áreas do Porto, Fafe, Guimarães, Santarém e Lisboa que levaram à apreensão de relevantes elementos probatórios: 6 buscas domiciliárias, 1 busca a gabinete de advogado e 21 mandados de buscas não domiciliárias.

A detenção de Paulo Gonçalves, que era já arguido no processo, estava prevista devido ao desenrolar da investigação, mas foi consumada apenas nesta terça-feira.

O diretor jurídico dos encarnados é suspeito de crimes como "corrupção ativa e passiva, acesso ilegítimo, violação de segredo de justiça, falsidade informática e favorecimento pessoal", informa a PJ, em comunicado.

Em causa está "a prática de acessos por funcionários a diversos inquéritos em segredo de justiça para obtenção de informação sobre diligências em curso, informações que eram depois transmitidas a assessor da administração de uma sociedade anónima desportiva a troco de vantagens", acrescenta a Procuradoria-Geral da República, igualmente em comunicado.

A TVI sabe também que um funcionário judicial, José Augusto Nogueira da Silva, foi detido. Trata-se de um técnico de informática do Instituto de Gestão Financeira e Equipamento da Justiça (IGFEJ).

A operação, denominada e-toupeira, envolveu cerca de 50 elementos da Polícia Judiciária, um juiz de instrução criminal, dois magistrados do Ministério Público e peritos informáticos.

A investigação, iniciada há quase meio ano e que prossegue, "averigua o acesso ilegítimo a informação relativa a processos que correm termos nos tribunais ou Departamentos do Ministério Público a troco de eventuais contrapartidas ilícitas a funcionários".

Paulo Gonçalves terá obtido informação sigilosa sobre os processos que envolvem o Benfica no "caso dos emails".

O assessor jurídico do Benfica já foi conduzido à sede nacional da Polícia Judiciária, onde vai passar a noite. Será ouvido por um juiz esta quarta-feira.

O inquérito encontra-se em investigação na 9ª secção do DIAP de Lisboa (secção distrital), com o apoio da PJ-UNCC e colaboração do IGFEJ.

Paulo Gonçalves foi constituído arguido no caso dos emails em 19 de outubro, na sequência de buscas da Policia Judiciária ao clube.

Nesse mesmo dia, a Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL) confirmou a investigação a um suspeito, no âmbito do caso dos emails do Benfica, por corrupção passiva e ativa, tendo realizado buscas no estádio da Luz.

Desde maio que o diretor de comunicação do FC Porto, Francisco J. Marques, tem acusado o Benfica de influenciar o setor da arbitragem e apresentou alegadas mensagens de correio eletrónico de responsáveis encarnados, nomeadamente de Paulo Gonçalves e Luís Filipe Vieira.

Benfica defende Paulo Gonçalves

O Benfica assumiu hoje que o diretor jurídico da SAD do clube vai “provar a legalidade dos seus procedimentos”, acrescentando que pedirá uma audiência à Procuradora-Geral da República face à violação do segredo de justiça.

Em comunicado, a SAD do clube “confirma a realização de buscas às suas instalações no âmbito de um processo de investigação sobre eventual violação do segredo de justiça e reitera a sua total disponibilidade em colaborar com as autoridades no integral apuramento da verdade”.

A Sport Lisboa e Benfica SAD manifesta a sua confiança e convicção de que o Dr. Paulo Gonçalves terá oportunidade, no âmbito do processo judicial, de provar a legalidade dos seus procedimentos”, lê-se no comunicado do clube lisboeta.

O Benfica dá ainda conta da intenção de “pedir com caráter de urgência uma audiência à senhora Procuradora-Geral da República [Joana Marques Vidal], pelas reiteradas e constantes violações do segredo de justiça sobre os processos que envolvem o clube, numa estratégia intencional e com procedimentos fáceis de serem investigados, como hoje foi claramente comprovado”.