O mês de janeiro em Portugal continental foi seco e quente, com precipitação abaixo do normal, encontrando-se cerca de 56% do território em situação de seca severa, uma melhoria face ao mês de dezembro.

De acordo com um resumo do boletim climatológico do IPMA disponível hoje na sua página da Internet, no final de janeiro cerca de 55,6% estava em seca severa, 39,9% em seca moderada e 4,5% em seca fraca.

No final de janeiro, ao contrário de dezembro (6,4%) não havia nenhuma região do continente em situação de seca extrema.

Segundo o IPMA, no final de dezembro, 58,3% do território encontrava-se em situação de seca severa, 29,1% em seca moderada, 6,4% em seca extrema, 5,6% em seca fraca e 0,6% em situação normal para a época.

O Boletim Climatológico indica também que o mês de janeiro em Portugal continental foi seco e quente, tendo-se verificado um valor médio da temperatura máxima (13,79 graus Celsius) superior ao normal.

O IPMA refere que o valor médio da temperatura mínima do ar (4,30º) foi inferior ao normal.

“Durante o mês de janeiro, os valores de temperatura média do ar apresentaram uma grande variabilidade, sendo de realçar os da temperatura mínima registados nos dias 03 e 04 de janeiro, muito superiores ao normal e no dia 15 muito inferiores ao normal”, é referido.

O IPMA destaca também que os valores da temperatura máxima estiveram acima do normal entre os dias 28 e 31 de janeiro.

Quanto à precipitação, o IPMA revela que o mês de janeiro classificou-se como seco, com um valor médio em Portugal continental (76,5 milímetros) que corresponde a 65% do valor normal.

“Nos últimos 15 anos, apenas em cinco anos o valor médio da quantidade de precipitação em janeiro foi superior ao valor normal (1971-2000)”, indicou o IPMA, acrescentando que janeiro é o 10.º mês consecutivo com valores de precipitação mensal inferiores ao normal.

Falta de água ameaça produção de milho

A produção de milho em Portugal poderá sofrer alguns constrangimentos, já na próxima campanha, devido à falta de água que se tem sentido no país, sobretudo nas regiões a sul do Tejo.

A preocupação foi partilhada à Agência Lusa por José Luís Lopes, presidente da Associação Nacional dos Produtores de Milho e Sorgo (ANPROMIS), apontando que tal poderá "condicionar as culturas" deste ano.

"Existe um constrangimento pontual com falta de água, que não é tão problemático no norte do país, mas faz-se mais sentir a sul do Tejo. Essas limitações podem vir a influenciar negativamente a próxima campanha da produção de milho, assim como outras culturas de regadio", disse o dirigente.

O líder da ANPROMIS admitiu que, em "termos de preços, os produtores não estão a passar uma fase favorável", lembrando que "a cultura de milho, pela área que tem, dificilmente é substituível por outras culturas de regadio".