O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses alertou esta sexta-feira para a falta de enfermeiros nas urgências básicas de Loulé e Albufeira e apelou aos utentes daqueles serviços para manifestar a sua insatisfação, mas não contra os profissionais que os atendem.

Em comunicado, o sindicato conta que a falta de enfermeiros em Albufeira levou à redução de três para dois enfermeiros nos turnos e que em Loulé a equipa de 16 está a funcionar com sete enfermeiros.

A administração do Centro Hospitalar do Algarve, responsável pela gestão daqueles serviços de saúde, explicou à Lusa que as escalas naquelas unidades estão dentro dos limites legais previstos e que ambos os serviços enfrentam constrangimentos de enfermeiros por motivos de saúde e parentalidade.

A “situação merece da parte do conselho de administração toda a atenção e estão a ser encontradas soluções de mobilidade interna de recursos”, afirma o centro hospitalar, apontando que decorre um concurso para 81 enfermeiros que deverão reforçar o quadro de enfermagem “previsivelmente ainda neste período de verão”.

A direção regional de Faro do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) vinca que a situação ocorre num momento de maior movimento daqueles serviços, ou seja, durante o verão, época em que o Algarve recebe muitos turistas.

Além do maior tempo de espera, os enfermeiros relatam maior insatisfação e situações de conflito entre os utentes, ao passo que os enfermeiros em funções que deveriam realizar no máximo 140 horas mensais chegam a atingir as 200 horas e ficam exaustos, refere o SEP.

Os períodos de descanso são reduzidos. Trabalham muitas horas sem folgar, fazem turnos seguidos e há quem descanse apenas quatro horas num período de 24 horas”, relata o SEP, sublinhando tratar-se de uma situação que aumenta o risco de erro dos profissionais.

O serviço de urgência básica (SUB) de Albufeira chega a atingir os 210 atendimentos e a SUB de Loulé tem cerca de 160 atendimentos, de acordo com os dados divulgados pelo SEP.

Os enfermeiros apelam à população para traduzir a sua insatisfação pelos meios próprios. A agressividade contra quem trabalha e faz um esforço sobre-humano para poder dar resposta aos utentes que ali acorrem em nada contribui para melhorar a situação”, refere o sindicato.