A Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Abrantes encontra-se em incumprimento dos parâmetros a que está obrigada, revelou esta segunda-feira o inspetor-geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGAMAOT).

Não consideramos os incumprimentos expressivos” na ETAR de Abrantes, advogou o inspetor-geral da IGAMAOT, Nuno Banza, no âmbito de uma conferência de imprensa de apresentação dos resultados das análises efetuadas aos efluentes das ETAR urbanas e industriais descarregados no rio Tejo.

O incumprimento na ETAR de Abrantes verificou-se nos parâmetros de “sólidos suspensos totais, cujo limite é de 35 mg/l e a amostra revelou uma concentração de 55 mg/l, carência bioquímica de oxigénio, cujo limite é de 25 mg/l e a amostra revelou uma concentração de 33 mg/l, e carência química de oxigénio, cujo limite é de 125 mg/l e a amostra revelou uma concentração de 143 mg/l”.

Falta a Celtejo

As análises realizadas pela IGAMAOT realizaram-se a partir do dia 24 de janeiro, após o alerta da presença de espuma no açude de Abrantes, referiu o inspetor-geral Nuno Banza, indicando que foram isolados os alvos com maior risco de poderem estar na origem da ocorrência deste fenómeno de poluição no rio Tejo.

No troço do rio Tejo entre Perais e Abrantes, foram identificadas quatro ETAR urbanas nos concelhos de Abrantes e de Mação e ainda três unidades industriais, designadamente Celtejo, Paper Prime e Navigator.

Já a ETAR de Mação e as unidades industriais Paper Prime e Navigator cumprem os valores a que estão obrigadas, avançou o responsável.

Das ETAR e indústrias identificadas, a IGAMAOT deparou-se com “vários constrangimentos inusitados” na amostragem realizada na Celtejo, pelo que os resultados desta empresa de celulose “são esperados na próxima semana”, informou Nuno Banza.

Amostras só à quarta tentativa

A recolha de amostras na Celtejo só foi possível à quarta tentativa e com o recurso a três inspetores em permanência durante 24 horas, acrescentou o inspetor-geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território.

A recolha de amostras na indústria Celtejo teve por duas vezes problemas ao nível do coletor automático que não recolheu o líquido por razões que desconhecemos. Na terceira tentativa, pedimos o apoio da GNR, do Serviço de Proteção da Natureza e Ambiente e esse coletor foi guardado. Durante 24 horas o coletor funcionou, no entanto, apenas recolheu no final alguma espuma e muito pouco líquido”, declarou Nuno Banza.

Segundo o inspetor-geral, face às circunstâncias, foi decidido colocar três inspetores durante 24 horas, permanentemente, a fazer as recolhas manuais hora a hora.

Numa conferência de imprensa de apresentação dos resultados das análises efetuadas aos efluentes das ETAR urbanas e industriais descarregados no rio Tejo, o inspetor-geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território IGAMAOT disse que “vários cenários são possíveis” para o problema registado na recolha das amostras na Celtejo.

Não estávamos à espera que aquilo acontecesse, não só porque nunca tinha acontecido em mais lado nenhum como também nunca tinha acontecido na própria Celtejo”, afirmou Nuno Banza, indicando que os inspetores têm muita experiência, porque já recolheram “centenas, senão milhares”, de amostras através deste método.