Foram inaugurados, esta sexta-feira, doze cacifos destinados a pessoas sem-abrigo na zona de Santa Apolónia, em Lisboa. A ação marca o início da expansão do projeto pela capital, estando prevista a criação de uma rede de 48 estruturas.

Idealizado pela Associação Conversa Amiga (ACA), o projeto Cacifos Solidários começou em outubro de 2013 com a instalação de 12 cacifos na zona de Arroios, em Lisboa.

Encontra-se em “expansão com o objetivo de ter uma rede de 48 unidades entre 2015 e 2016”, afirmou o responsável Duarte Paiva, acrescentando que poderá chegar aos 60 cacifos em 2017.

"Os cacifos permitem às pessoas em situação de sem-abrigo guardar os seus pertences de forma segura e digna, ao mesmo tempo que são acompanhadas por uma equipa profissional que estabelece a ligação entre a rua e os serviços sociais”


Na inaugurarão dos cacifos em Santa Apolónia, Duarte Paiva explicou à agência Lusa que “já existem cerca de seis pessoas identificadas” para atribuição de um destes 12 cacifos desta zona da cidade, acrescentado que “a entrega de chaves vai começar esta semana”.

“Isto não é uma solução para tirar pessoas da rua. É uma solução para resolver um problema muito específico, mas a verdade é que a nossa experiência em Arroios disse que é um degrau entre a rua e sair da rua”, defendeu o presidente da ACA, revelando que mais de 40% dos sem-abrigo, a quem lhes foi atribuído um cacifo, mudaram a sua vida e saíram da rua.
 

Plano de expansão


Prevê-se a implementação de 12 cacifos no Rossio e também de 12 na zona do Oriente, que serão implementados durante o primeiro semestre do próximo ano, e que acrescem aos que já existem em Arroios e em Santa Apolónia, criando uma rede de 48 cacifos pela capital.

“Existe ainda a possibilidade desta rede atingir os 60 cacifos solidários em 2017”, disse o responsável da ACA, explicando que, se houver orçamento disponível, pretende-se instalar também 12 cacifos perto do Mercado da Ribeira, no Cais do Sodré.

De acordo com Duarte Paiva, o projeto de expansão de cacifos solidários pela capital tem o apoio da Câmara de Lisboa em 60%, assumindo a ACA os restantes 40%, num investimento total de “cerca de 30 mil euros”, afirmou.

Presente na inauguração dos cacifos em Santa Apolónia, o vereador dos Direitos Sociais da Câmara de Lisboa, João Afonso, disse à Lusa que os cacifos são “uma necessidade” na cidade, argumentando que resolve a situação de muitas pessoas sem-abrigo que “têm os seus pertences na rua, carregam-nos de um lado para o outro ou deixam-nos acumulados em diferentes sítios, e muitas vezes são removidos esses pertences, o que leva a que percam a documentação, as fotografias da família, os bens materiais”.

Para vereador João Afonso, a atribuição de cacifos a pessoas sem-abrigo “é um passo que ajuda à integração”, considerando que “com pequenos passos essas pessoas podem vir a ter um quarto e mais tarde uma casa”.

“Gostaria que um dia, em Lisboa, pudéssemos fazer uma festa para retirar os cacifos. Era a festa de que teríamos respostas melhores para as pessoas em situação de sem-abrigo. Seria uma festa porque não teríamos pessoas em situação de sem-abrigo”, perspetivou o autarca quando questionado sobre soluções para a resolver este problema social.