Duas explosões de material pirotécnico em Gondelim, Penacova, no distrito de Coimbra, fizeram um morto e 30 feridos, segundo o último balanço das autoridades.

Entre os feridos há dois em estado grave, estando um deles a ser operado neste momento. 

Segundo o administrador do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), Fernando Regateiro, em declarações aos jornalistas, deram entrada no Serviço de Urgências do CHUC 30 doentes.

Destes, 21 estão nos Hospitais da Universidade de Coimbra, três já tiveram alta, cinco crianças foram assistidas no Hospital Pediátrico e um encontra-se no Hospital Geral.

Destes 21 doentes que estão nos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC), um está em estado grave e a ser operado neste momento pela ortopedia; outro doente encontra-se ainda na sala de emergência, ventilado e estável e irá ser transferido para a Unidade de Queimados”, explicou o responsável.

As cinco crianças assistidas no Hospital Pediátrico têm idades entre os 5 e os 16 anos (três do sexo masculino e dois do feminino) e devem ter alta ainda hoje, esclareceu.

Fonte dos bombeiros explicou à TVI24 que as explosões ocorreram junto à capela de Nossa Senhora da Moita, onde hoje teve início a festa anual de Gondelim,  momentos antes da saída das pessoas da capela para a procissão.

Mais de uma centena de pessoas assistiam aos festejos, entre os quais o presidente da autarquia, Humberto Oliveira, com origens neste local e que acionou os meios de socorro.

De acordo com testemunhas no local, a capela terá ficado muito danificada, bem como algumas habitações em redor do recinto.

A vítima mortal era um dos fogueteiros da festa, segundo o vice-presidente da Câmara de Penacova, João Azadinho, que também se encontra no local.

O alerta foi recebido cerca das 12:30. 

Para o local foram acionados três helicópteros e várias ambulâncias do INEM e dos bombeiros de Penacova, Mortágua, Santa Comba Dão e Vila Nova de Poiares, num total de 35 viaturas e mais de 80 operacionais.

Queimaduras e traumas

De acordo a médica Paula Neto, da Delegação Regional do Centro do INEM, as pessoas feridas com gravidade apresentavam "queimaduras e situações de trauma grave, provavelmente por causa da explosão e do impacto".

A vítima mortal terá "entre os 20 e os 30 anos" e as crianças que estão entre os feridos ligeiros têm entre "os 5 os 16 anos" de idade, acrescentou, sublinhando que foi também enviada para o local uma equipa de apoio psicológico para dar acompanhamento às vítimas, mas também aos familiares que se foram reunindo.

Uma das vítimas críticas foi transportada de helicóptero para o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, para onde foram enviados a maioria dos restantes feridos.

PSP e PJ investigam

As razões da explosão em Penacova estão a ser averiguadas pela PJ e pela PSP, disseram a autarquia e o comandante operacional distrital de Coimbra, Carlos Tavares, em declarações aos jornalistas no local.

Naturalmente, quando acontece um facto destes, é porque alguma coisa correu mal. Neste momento, ainda não conseguimos avaliar [o que aconteceu]. Os peritos estão a fazer essa averiguação para identificar as causas desta tragédia", afirmou o presidente da Câmara de Penacova, Humberto Oliveira, que falava aos jornalistas em Gondemil, aldeia onde decorreu a explosão.

Segundo o autarca, "é normal, depois da missa, decorrer a procissão e, no fim, haver uma salva de fogo, com alguma dimensão".

Aquele fogo estaria preparado para esse momento do pós-procissão", explicou, indicando que as pessoas responsáveis pelo espetáculo de pirotecnia seriam "provavelmente de fora do concelho", já que não conhece ninguém com licença para operar em Penacova.

Sobre se é normal o fogo estar perto da capela onde rebentou, Humberto Oliveira disse desconhecer.

A verdade é que estava. Temos de avaliar todos as nossas responsabilidades e aquilo que temos de mudar. Em casa roubada, trancas à porta. Temos de ser mais cuidadosos para que estas situações não aconteçam. Não faz sentido acontecerem", frisou o autarca, que é frequentador "usual e habitual" da festa de Gondemil, terra natal do seu pai.

"A sorte foi estar a chover"

Artur Simão, natural de Gondelim, assistiu ao desastre, relatando que houve uma primeira explosão e "uma segunda mais intensa", que originou uma "nuvem de fumo muito grande", perto da capela.

A sorte foi estar a chover e as pessoas estavam dentro da capela, porque normalmente costuma estar mais gente cá fora a assistir à missa", sublinhou, contando que, após a explosão, o teto da capela caiu e com ele os candeeiros que terão causado ferimentos nas pessoas que se encontravam dentro do espaço.

"Depois da explosão foi muita confusão, gritos por todo o lado", realçou o habitante de Gondelim, que contou "15 minutos" entre o acidente e a chegada da primeira equipa de socorro.

Durante esta semana, emigrantes e pessoas de vários pontos do país regressam à aldeia para as festas da sua terra natal.