João Gouveia, antigo dux da Lusófona, não vai ser levado a julgamento. De acordo com o despacho lido esta quarta-feira no Tribunal de Setúbal, o juiz diz que os jovens estavam na Praia do Meco de livre vontade e que não se vislumbrou qualquer comportamento tirânico por parte do ex-dux. 

«Estes jovens (que morreram na praia do Meco) estavam lá porque queriam, porque gostavam, em torno de uma causa», disse o juiz Nélson Escórcio.


Ainda de acordo com o despacho, não existem factos concretos que indiquem que João Gouveia não esteve dentro de água na noite de 15 de dezembro de 2013, quando os sete jovens foram levados por uma onda na Praia do Meco. Só João Gouveia sobreviveu.

«Não se vislumbra qualquer elemento de um comportamento tirânico ou maléfico do arguido», afirmou o magistrado, convicto de que na fase na instrução não foram trazidos aos autos novos factos que pudessem indiciar o ex-dux da prática de qualquer crime.

O pai de João Gouveia reagiu à decisão à saída do tribunal e diz que despacho de não pronúncia «vem confirmar a realidade dos factos» e que agora «a paz tem de ser construída», depois do ex-dux ter sido muito «massacrado» ao longo dos últimos meses. Pai diz que ex-dux foi tratado como «arguido maléfico muitas vezes». 

As famílias das vítimas também reagiram, num comunicado lido por uma das mães.

«A decisão não nos surpreende. Respeitamos a decisão do senhor juiz, mas não concordamos.»


«Assistimos a uma missa com padre bem preparado», disse  Fernanda Cristóvão, mãe de Ana Catarina Soares, assegurando que, apesar de desiludidos, os familiares dos seis jovens «continuam a acreditar que justiça será feita e que a morte dos filhos não foi em vão«.

«Iremos continuar a lutar com todas as nossas forças para que aqueles que tudo têm feito para que a verdade não seja apurada, percebem que num Estado de Direito não vale tudo e que a perda de vidas humanas não se compagina com a existência de interesses obscuros de alguns elementos da sociedade.»


O advogado das famílias, Vítor Parente Ribeiro, anunciou a intenção de interpor recurso para o Tribunal da Relação.

«Entendo que existem indícios fortes de que se verificou aquele crime (abandono ou exposição)», contrapôs o advogado, que à entrada para o tribunal já tinha defendido a responsabilização do Estado português pela forma como decorreu a investigação, que só teve inicio muito tempo depois dos factos.

Na altura, Vítor Parente Ribeiro admitiu também a possibilidade de levar o caso ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem.