«Estes jovens (que morreram na praia do Meco) estavam lá porque queriam, porque gostavam, em torno de uma causa», disse o juiz Nélson Escórcio.




«Não se vislumbra qualquer elemento de um comportamento tirânico ou maléfico do arguido», afirmou o magistrado, convicto de que na fase na instrução não foram trazidos aos autos novos factos que pudessem indiciar o ex-dux da prática de qualquer crime.



«A decisão não nos surpreende. Respeitamos a decisão do senhor juiz, mas não concordamos.»


«Assistimos a uma missa com padre bem preparado», disse Fernanda Cristóvão, mãe de Ana Catarina Soares, assegurando que, apesar de desiludidos, os familiares dos seis jovens «continuam a acreditar que justiça será feita e que a morte dos filhos não foi em vão«.

«Iremos continuar a lutar com todas as nossas forças para que aqueles que tudo têm feito para que a verdade não seja apurada, percebem que num Estado de Direito não vale tudo e que a perda de vidas humanas não se compagina com a existência de interesses obscuros de alguns elementos da sociedade.»


O advogado das famílias, Vítor Parente Ribeiro, anunciou a intenção de interpor recurso para o Tribunal da Relação.

«Entendo que existem indícios fortes de que se verificou aquele crime (abandono ou exposição)», contrapôs o advogado, que à entrada para o tribunal já tinha defendido a responsabilização do Estado português pela forma como decorreu a investigação, que só teve inicio muito tempo depois dos factos.

Na altura, Vítor Parente Ribeiro admitiu também a possibilidade de levar o caso ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem.