Vítor Sousa, ex-vice-presidente da Câmara de Braga e ex-administrador dos Transportes Urbanos de Braga, foi detido numa operação de combate à corrupção, apurou a TVI

Uma fonte policial indicou à agência Lusa que Cândida Serapicos, ex-administradora dos Transportes Urbanos de Braga, também foi detida.

Vítor Sousa foi o vice-presidente da Câmara de Braga quando o município era liderado pelo socialista Mesquita Machado. E foi também o candidato do PS nas últimas autárquicas.

Cândida Serapicos também foi dirigente local do PS.

 

O que se sabe sobre o processo

 

O processo está ligado à atividade da Transportes Urbanos de Braga e ambos serão apresentados em tribunal esta sexta-feira.

Em causa está o alegado recebimento de “luvas” na aquisição de autocarros à empresa alemã MAN. Os Transportes Urbanos de Braga compraram 13 autocarros à MAN-Braga no período em que foram administrados por Vítor de Sousa. Aquele número tinha sido divulgado, em comunicado, pelos próprios TUB em julho de 2012, aquando de notícias que apontavam que Vítor de Sousa e a vogal Cândida Serapicos estavam a ser investigados por suspeitas de recebimento de luvas na compra de autocarros à MAN-Braga.

Os TUB acrescentavam que, no total, teriam pago à MAN-Braga, dirigida por Menezes da Costa, 1.750.725 euros pela aquisição dos 13 autocarros e que as aquisições foram realizadas "tendo sido sempre objeto de avaliação técnica" e "tendo em conta a proposta economicamente mais vantajosa para a TUB".

No período de administração de Vítor de Sousa, os TUB adquiriram também seis autocarros à Mercedes-Benz Portugal e 26 à MAN-Portugal. No entanto, o que estará em causa na investigação da PJ será a aquisição das 13 viaturas à MAN-Braga.

As suspeitas surgiram em consequência da investigação da Policia Judiciária relacionada com o processo de insolvência da MAN-Braga, decretada em 2012.

 

"Calúnias"?

 

Em julho de 2012, quando surgiram notícias sobre as suspeitas de corrupção neste processo, Vítor Sousa e Cândida Serapicos alegaram, em comunicado, que se tratavam de “calúnias”.

Além de refutarem as acusações, ambos manifestaram disponibilidade e "interesse" em prestar declarações ao Ministério Público.

A denúncia do suposto caso de corrupção terá chegado de forma anónima ao Ministério Público, tendo, entretanto, sido realizadas buscas às instalações dos Transportes Urbanos de Braga (TUB).

No comunicado de julho de 2012, ambos os visados apontavam motivações políticas para as referidas notícias, relacionadas com o momento que se vivia no PS/Braga.

Vítor Sousa tinha vencido pouco tempo antes a Concelhia do PS, derrotando o deputado António Braga, e era apontado como o provável sucessor de Mesquita Machado como número um da lista socialista à Câmara Municipal de Braga.

No mesmo comunicado, os agora detidos atestavam ainda que "sempre colocaram na gestão da causa e da coisa públicas" valores como "integridade e cumprimento rigoroso". Valores estes que, afirmavam, iriam atestar "a inveracidade” das notícias.

Vítor Sousa e Cândida Serapicos adiantavam que já tinham requerido e manifestado ao Ministério Público “o maior interesse em prestarem declarações e esclarecimentos” que se mostrassem necessários “para o apuramento de toda a verdade".

A Polícia Judiciária vai dar mais esclarecimentos sobre o caso esta sexta-feira.