Alunos de três escolas primárias de Lisboa vão estudar programação informática durante um ano letivo, através de um programa com linguagem simplificada, que pretende ajudar as crianças a pensar, resolver problemas, e a melhorar o desempenho escolar.

O programa Academia de Código Júnior já foi implementado no início do segundo período do presente ano letivo, e termina no primeiro período do próximo ano, disse à agência Lusa o fundador do projeto, Domingos Guimarães.

Os 65 alunos do primeiro ciclo abrangidos por este projeto-piloto pertencem às escolas do Bairro do Armador (Marvila), Aida Vieira (Carnide) e São João de Deus (Arco do Cego).

Este programa «permite às crianças perceberem como funciona a programação, sem terem de perceber toda a complexidade da linguagem por trás», através de uma linguagem informática desenvolvida pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), disse à Lusa o fundador do programa.

«Se eles estiverem a aprender a história dos descobrimentos, vão programar um robot, que faz um percurso como se fosse um barco a andar em direção ao Brasil», exemplifica.

Domingos Guimarães acrescentou também que «existe um horário que é para atividades extracurriculares e dentro dessas atividades será inserida a aprendizagem de código».

A Academia de Código é desenvolvida pela Câmara Municipal de Lisboa, em parceria com a Universidade de Aveiro, Laboratório de Investimento Social, Universidade Nova de Lisboa e a ‘start-up’ Code for All.

O projeto é financiado em 120 mil euros pela Fundação Calouste Gulbenkian, que assume o risco através de um Título de Impacto Social, «um mecanismo pelo qual uma entidade do setor público celebra um contrato com investidores privados, para atingir resultados sociais específicos», explica o município de lisboa em nota divulgada.

A Academia de Código tem também uma versão para adultos, que deve ser posto em prática no final de março, e que se destina a licenciados desempregados.

O responsável pelo projeto sublinha que «um dos grandes objetivos da Academia de Código é fazer com que dentro de muito pouco tempo esteja assegurado que as crianças tenham a experiência da programação ao longo do ensino obrigatório, porque vão ser precisos três milhões de programadores em 2020».

Domingos Guimarães assegura que este é um projeto pioneiro porque «nunca foi inserido durante um ano letivo inteiro nem com este nível de exigência».

O projeto Academia de Código Júnior será apresentado na próxima sexta-feira, pelo presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, na Fundação Calouste Gulbenkian.