Portugal está já em epidemia de gripe, mas a atividade gripal é leve a moderada. A diretora-geral de Saúde, Graça Freitas, deu esta quinta-feira a indicação de que o vírus dominante atualmente em circulação é do tipo B.

 “Uma boa noticia”, porque geralmente a intensidade é menor do que nos vírus de tipo A. O vírus de tipo B dá geralmente épocas gripais de menor intensidade.

Em conferência de imprensa, Graça Freitas disse que a região norte está com atividade gripal moderada, enquanto nas restantes regiões do continente é ainda leve. Na terça-feira, em entrevista no Jornal das 8 da TVI, a diretora-geral de Saúde explicou que a gripe "não se espalha da mesma forma em todo o país"

Os dados das autoridades de Saúde revelam que nesta época gripal foram internados em cuidados intensivos 15 doentes, oito dos quais na última semana. Isto indicia um aumento da atividade gripal.

A vacina que tem sido administrada em Portugal não contem uma das estirpes do vírus B que está a ser dominante. Ainda assim, a DGS garante que a vacina é efetiva e que, mesmo que não impeça a doença, reduz as suas complicações.

A mortalidade está dentro da linha do que é esperado para estes meses, apesar de a DGS não ter adiantado dados concretos nesta conferência de imprensa.

Cuidado, vem aí muito frio

O frio vai chegar em força no final desta semana e de uma forma muito brusca. As temperaturas vão descer 10 graus na sexta-feira e há previsão de chuva forte em todo o território continental.

Para se proteger da gripe e de infeções respiratórias, a DGS recomenda que se vacine contra a gripe e que se vista por camadas para se proteger do frio.

Urgências mais pressionadas

As autoridades de saúde admitem que tem havido uma maior pressão sobre as urgências nos últimos dias e que até há hospitais a suspender a atividade cirúrgica programada, mas consideram que são ajustamentos pontuais e rejeitam disfunção nos serviços.

A diretora-geral da Saúde reconheceu, na mesma conferência de imprensa, que os últimos dias têm sido “uma época de pressão nos serviços”, mas salientou que é necessário diferenciar entre “haver pressão e haver disfunção”, cita a Lusa.

A urgências nos hospitais e as consultas nos centros de saúde têm tido “uma atividade crescente, mas controlada e dentro do expectável para a época”.

Cirurgias suspensas

Também Ricardo Mestre, responsável da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), apontou para o “aumento da procura dos serviços de urgência”, mas considera que os hospitais têm estado a responder de forma adequada.

O vogal da ACSS assumiu que “episodicamente” haverá hospitais “com um tempo ou outro de resposta acima do normal”, mas frisa que na generalidade as urgências estão a responder dentro do tempo “clinicamente aceitável”.

Ricardo Mestre reconheceu que alguns hospitais têm vindo a suspender alguma atividade cirúrgica programada com internamento, mas vincou que são “ajustes pontuais”.

Planos de contingência

Os hospitais podem acionar os seus planos de contingência para abrir mais camas que sejam necessárias neste período do inverno e da gripe, mas a ACSS não soube hoje indicar quantas unidades e quantas camas já foram abertas.

Vários centros de saúde terão horário alargado para responder às necessidades da época gripal, embora a Direção-Geral da Saúde reconheça que está instituída nas pessoas a cultura de se dirigirem à urgência de um hospital.

Graça Freitas apela aos utentes para que contactem a linha do SNS 24 (808 24 24 24) antes de se dirigirem a um serviço de saúde. Esta linha pode também dar informação sobre os horários dos centros de saúde.