A Polícia Judiciária efetuou buscas na fundação "O Século", esta quinta-feira de manhã, confirmou a TVI24 junto de fonte da PJ. Em causa estarão irregularidades na gestão da fundação, cuja sede se situa em São Pedro do Estoril, concelho de Cascais. O Ministério Público informou, entretanto, que as buscas foram feitas na sequência da suspeita da prática dos crimes de peculato e de abuso de poder, de 2012 até à atualidade.

O presidente da fundação "O Século", Emanuel Martins, disse à TVI24 que as buscas foram feitas por "denúncias" e não por "suspeitas".  

A polícia judiciária esteve cá a fazer investigações. Levou o que quis levar e agora esperamos pelas conclusoes que tira sobre isso. Há dúvidas sobre contratos com familiares. Eu não tenho tanta gente de família. (...) Em bom rigor, levaram uma série de contratos de pessoas que cá trabalhavam e que seriam relacionadas familiarmente com pessoas da administração. Não é verdade."

Emanuel Martins explicou que "todos os contratos" passaram pelo nosso departamento de recursos humanos, "que faz a seleção, com mais uns diretores". "Nem sei. A nós, vem-nos à administração, aprovamos e ponto", acrescentou. 

"Não mexemos em dinheiro"

Sobre o alegado uso indevido de dinheiro, desdramatizou: "Nós não mexemos em dinheiro. Não há uso indevido de dinheiro, porque era preciso que tivéssemos dinheiro em mão".

Se os cartões de crédito para as despesas que temos se podem ter sido utilizados ou não particularmente, o que lhe tenho a dizer sobre isso é não. Eles [os inspetores da PJ] levaram elementos disso para poderem comprovar". 

Confirmou, também, que "ninguém foi constituído arguido, não havia razão para isso" e que "o que houve foi denúncias, coisa distinta de suspeitas".

Estamos tranquilos, vamos esperar". 

Fundação faz acusações que câmara de Lisboa nega

O presidente da fundação "O Século" aproveitou para acusar a câmara municipal de Lisboa de ter ficado "com 4,2 milhões de euros "destinados à Instituição, alegando que só pagou 1 milhão. 

Entretanto, num esclarecimento enviado às redações, a autarquia Lisboeta refere que, em 2012, "fez um acordo com a Fundação “O Século” em que rescindiu os protocolos anteriores entre as duas entidades, por mútuo acordo, com contrapartida do pagamento de um  milhão de euros por parte da CML e mais a cedência de um direito de superfície de um  terreno para exploração de uma bomba de gasolina na Praça José Queirós".

A petrolífera BP pagou 8 milhões de euros à cabeça à Fundação “O Século”, para a exploração do posto de abastecimento,  e esta recebe ainda uma renda anual daquela empresa".

Refere ainda que, no "acordo aprovado em câmara" e que foi levado à Assembleia Municipal (veja o documento a seguir) lê-se a Fundação “O Século” declara que “nada mais lhe é devido em virtude do referido protocolo e que não poderá invocar qualquer direito respeitante aos espaços ocupados pela antiga Feira Popular”.

Documento da CML by VanessaCruz on Scribd

As buscas de hoje foram realizadas por elementos da Unidade Nacional de Combate à corrupção (UNCC) e, segundo apurou a Lusa entretanto junto de fonte policial, causa estão suspeitas de peculato e abuso de poder.

A Fundação "O Século" dedica-se ao desenvolvimento sócio-cultural de crianças, bem como à assistência social a idosos e pessoas menos favorecidas ou em risco social.

Foi criada em 1998, com o objetivo de continuar a obra social da antiga Colónia Balnear Infantil “O Século”, esta criada em 1927, por João Pereira da Rosa, na altura diretor do jornal “O Século”.