"Refugiado" foi eleita a Palavra do Ano 2015, anunciou o grupo Porto Editora, que organiza a iniciativa desde 2009.

O anúncio foi feito na Biblioteca Municipal José Saramago, em Loures, nos arredores de Lisboa, tendo a palavra "Refugiado", que desde o início liderou as escolhas dos cibernautas, saído vencedora com 31% dos votos expressos.

Desde o início de dezembro último, quando abriu a votação online, participaram na escolha "mais de 20.000" cibernautas, disse à Lusa fonte do grupo editorial.

A cerimónia do anúncio da Palavra do Ano 2015 contou com a presença de Rui Marques, da Plataforma de Apoio aos Refugiados.

À palavra "Refugiado" seguiu-se, em segundo lugar, com 17% dos votos, o vocábulo "Terrorismo" e, em terceiro, com 16% de 'cliques', "Acolhimento".

O quarto posto é ocupado por "Esquerda", com 8% dos votos, logo seguida de "Drone", com 7%, que ficou a meio da tabela.

Os cinco últimos lugares são ocupados por "Plafonamento", com 6%, "Bastão de selfie", com menos um ponto percentual (5%), "Festivaleiro" (4%), e os dois últimos, ambos com 3% dos votos, são os vocábulos "Superalimento" e "Privatização".

No início de dezembro, quando apresentou o vocábulo "Refugiado" para fazer parte da lista das dez palavras a concurso, a Porto Editora realçou o contexto sociopolítico, designadamente "o incremento de conflitos armados e a rápida desestruturação social nos países do Médio Oriente, particularmente na Síria, [que] originou um êxodo massivo de pessoas que, deixando tudo para trás, na esperança de encontrarem um futuro melhor na Europa, arriscam a vida em processos migratórios altamente perigosos, e que muitas vezes têm um final trágico".

A palavra "Esmiuçar" foi a vencedora da primeira edição desta iniciativa, em 2009. Em 2010, venceu "Vuvuzela" e, em 2011, "Austeridade". Em 2012, a palavra escolhida foi "Entroikado" e, em 2013, "Bombeiro". No ano passado, a palavra eleita foi "Corrupção".
 

Escolha revela atitude de acolhimento, respeito e empatia


Rui Marques, que lidera a Plataforma de Apoio aos Refugiados, saudou hoje os portugueses pela escolha de “Refugiado” como a palavra do Ano 2015, lembrando que esta opção revela uma "atitude de acolhimento, respeito e empatia".

A escolha dos portugueses deixa “implícita uma atitude de abertura, de acolhimento, respeito, de empatia e capacidade de perceber o drama” dos refugiados, sublinhou Rui Marques em declarações à agência Lusa.

“Queria saudar a escolha dos portugueses ao terem dado relevância a este tema e a esta palavra porque sublinha a dimensão humana desta tragédia. Quando falamos de refugiados, falamos de pessoas, de histórias concretas, de situações de sofrimento, mas também de uma enorme resiliência, de uma procura de esperança e da capacidade de lutar pelo seu futuro”, acrescentou.

Para Rui Marques, esta opção mostra que “os portugueses são sensíveis a este tema e quiseram colocá-lo como tema do ano de 2015”.

Rui Marques entende que “teria sido uma triste notícia se os portugueses tivessem escolhido “Terrorismo”, porque significaria que estavam completamente reféns do medo e do impacto negativo que o terrorismo teve e tem em todos nós”.

Agora, diz que “gostava que a escolha da palavra “Refugiado” pudesse, ao longo de 2016, evoluir para a escolha de “Acolhimento”.