O Santuário de Fátima vai disponibilizar uma casa para acolher refugiados, informou esta quinta-feira à Lusa o bispo de Leiria-Fátima, António Marto, adiantando que as paróquias da diocese vão ser contactadas para saber de que forma podem responder ao flagelo.

"A partir de amanhã [sexta-feira], todas as paróquias da diocese vão ser contactadas para ver da sua disponibilidade para fazer face a esta situação."


O bispo indicou que a Cáritas diocesana também está na Plataforma de Apoio aos Refugiados, que agrega diversas organizações da sociedade civil e vai ser lançada na sexta-feira, em Lisboa.

"Desencadeia-se agora um movimento que, acredito, vai despertar a generosidade dos cristãos e responder ao apelo do papa. Não podemos ficar mais indiferentes, isto põe à prova toda a identidade, generosidade e solidariedade cristãs", disse António Marto, salientando que os cristãos "não podem deixar o papa só no apelo [de solidariedade e cooperação] que fez aos políticos e a todo o mundo".

Em agosto, o bispo de Leiria-Fátima avançara que a Igreja Católica estava disponível para acolher, nas suas instalações, refugiados que chegassem a Portugal, de países em conflito, em África e no Médio Oriente, lembrando a situação que ocorreu quando milhares de retornados saíram das antigas colónias.

António Marto recordou, então, o "tempo dos regressados de África", em que se abriram "seminários, casas que acolheram refugiados durante muito tempo, até poderem sistematizar a sua vida".

Em declarações à Lusa, esta quinta-feira, o arcebispo de Braga, José Ortiga, referiu, sem precisar os locais, que a sua diocese "já tem espaços identificados" para acolher refugiados, defendendo ser "necessário uma estratégia conjunta", de várias entidades, para garantir um acolhimento definitivo das pessoas.

De acordo com José Ortiga, "não se trata de fazer um acolhimento de pessoas por um período curto", mas de "uma solução definitiva".

O arcebispo alertou também para a necessidade de se saber "como vão ficar as responsabilidades partilhadas" e de "quem vem", numa referência aos refugiados.

"Estamos empenhados, disponíveis para colaborar com todas as entidades, governativas, autárquicas e outras, e com a sociedade civil para ajudar nesta situação", assegurou o também presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana.

Para José Ortiga, "a Igreja não foge, não pode fugir a esta responsabilidade", devendo antes ver que "tipo de oportunidades pode dar a estas pessoas".

Num apelo à comunidade europeia e à comunidade internacional, o arcebispo de Braga sublinhou que "não podem ignorar a situação", devendo interrogar-se "por que este êxodo está a acontecer e como é que se pode continuar a permitir isto".

O ministro-Adjunto e de Desenvolvimento, Miguel Poiares Maduro, afirmou esta quinta-feira, após a reunião de Conselho de Ministros, que Portugal tem disponibilidade para acolher mais refugiados do que os 1.500 que têm sido mencionados, e anunciou a constituição de um grupo de coordenação a nível nacional sobre a matéria.

No final de julho, o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, disse que Portugal poderia acolher 1.400 refugiados, concentrados na Grécia e no sul de Itália.

Antes, a 26 de junho, no final do Conselho Europeu em Bruxelas, Bélgica, o primeiro-ministro declarou que Portugal defendeu um ajustamento dos critérios que indicavam que o país deveria acolher 2.400 pessoas.

O Governo Regional da Madeira, a Misericórdia da Covilhã e vários municípios já se revelaram disponíveis para acolher refugiados e migrantes