Sónia Laygue é a nova presidente da associação Raríssimas, e é mãe de um utente da Associação Nacional de Deficiências Mentais e Raras. 

Laygue foi eleita em assembleia-geral extraordinária, tal como os restantes membros que faltava preencher nos corpos diretivos da associação, no âmbito do mandato que termina em 2019.

É que desde que “rebentou” o escândalo, na sequência da investigação da TVI, que ainda permanecem em funções, após presidente, Paula Brito da Costa, ter deixa do cargo, quatro membros da direção, um do conselho fiscal e um membro da mesa. Mas era agora necessário preencher os lugares vazios.

A reunião magna estava marcada para as 10:00 da manhã, começou com um atraso de meia hora, por falta de quórum, e esteve suspensa, à espera de se saber se a lista que se prepara avançava, ou não. Uma lista única composta por colaboradores e pais de utentes da instituição.

A presidente, agora eleita, liderava a lista, é socióloga do trabalho e mãe de uma menina de três anos com uma doença rara. Conhece bem, segundo a própria, os casos "que de outra forma não teriam qualquer tipo de apoio e assistência para terem meios de se superarem todos os dias". 

A nova dirigente pretende, como um dos primeiros atos, saber se as contas da instituição foram auditadas para compreender o "estado da nação" que vai assumir com a sua equipa. Considera ainda importante "falar com o Governo diretamente" para que a tutela colabore na resolução dos problemas.

"Vai ser uma luta"

A nova presidente da direção afirmou que a equipa que apresentou fará tudo o que puder "para salvar esta associação e continua a dar a estas pessoas a resposta que precisam".

Sónia Margarida Laygue assumiu não ter nenhuma experiência associativa, mas comprometeu-se a usar a experiência que tem na área dos recursos humanos e na participação em projetos internacionais ligados à diversidade e inclusão.

 A presidente eleita defende a continuidade da instituição como "balão de oxigénio" para crianças com doenças raras e suas famílias.

Não vai ser simples, vai demorar tempo e vai ser uma luta, mas estamos cá para ela".

"Pessoas implicadas devem ser afastadas"

Laygue quer as contas da instituição auditadas e reunir-se com o Governo para a tutela contribuir para solucionar os problemas da Raríssimas.

Quanto à presidente demitida, Paula Brito da Costa, e aos ex-membros da direção em investigação por suspeitas de irregularidades na gestão, defende que não devem voltar, pelo menos até haver conclusões.

Enquanto houverem processos na justiça, as pessoas implicadas devem ser afastadas. Não seria moral e eticamente aceitável [que voltassem a cargos na instituição]".

Sónia Margarida Laygue ressalvou que não tira "de forma alguma o mérito a quem criou" a Raríssimas.

Outros membros eleitos

Três funcionários da associação e uma mãe e um pai de crianças assistidas na Casa dos Marcos, na Moita, estão também na lista aprovada pelos associados. 

Dos 22 votos expressos, 18 foram a favor e quatro em branco. A esta Assembleia-Geral compareceram menos de 5% dos 566 associados ativos da Raríssimas.

Para vice-presidente foi proposta Mafalda Costa, também mãe de um utente, Rui Pedro Ramos para tesoureiro, atualmente fisioterapeuta na Raríssimas, e para secretário António Veiga, psicólogo na casa dos Marcos.

Na lista estão ainda Fernando Alves, reformado e pai de uma criança com doença rara, e Rosália Santos, que ficará como vogal suplente.

A Assembleia-Geral elegeu ainda por voto secreto a nova presidente do Conselho Fiscal, Ana Paula Soares, que é diretora de recursos humanos e mãe de um menino com doença rara.

Os novos corpos sociais tomarão posse na próxima sexta-feira às 10:00 na Casa dos Marcos, na Moita.