“Chega de hipocrisia, legalizem a Maria”, “Legal, legal, como a imperial” ou “Governo de aldrabões, legalizem os canhões” foram algumas das frases de ordem ouvidas este sábado na Marcha Global da Marijuana, em Lisboa, que juntou cerca de cem pessoas.

A iniciativa vai já na sua décima edição e este ano o ponto de encontro escolhido foi o Jardim Mãe D’ Água, na zona das Amoreiras, onde várias dezenas de pessoas, sobretudo jovens, se começaram a concentrar a partir das 15:00.

A marcha arrancou por volta das 16:30, em direção ao Miradouro de São Pedro de Alcântara. À frente duas faixas onde podia ler-se “Contra a crise, legalize” e “Erva legal em Portugal”.

Tal como explicou à Lusa um dos elementos da organização, o motivo por trás desta iniciativa continua a ser a luta pelo livre acesso à canábis, sublinhando que a sua proibição só contribui para alimentar o tráfico quando esta é uma planta que poderia ser usada, por exemplo, para fins medicinais e terapêuticos.

“O proibicionismo leva à adulteração da substância, não permite a investigação científica de uma planta que tem propriedades extraordinárias, tanto a nível terapêutico como industrial e até alimentar, só fomenta o mercado negro”, defendeu Alexandre Mergulhão.

Acrescentou que o facto de o produto só estar disponível no mercado negro, faz com que não tenha qualquer tipo de controlo de qualidade, regulação ou controlo de preços e lembrou que a proibição não fez com que houvesse menos tráfico ou diminuísse o consumo.

Sobre este último ponto, Alexandre Mergulhão adiantou que, em Portugal, um grama de canábis custa cerca de dez euros, quando o preço poderia rondar um décimo disso.

Propõe, por isso, “para resolver o paradoxo legislativo que existe desde 2001”, a legalização do autocultivo para consumo próprio, bem como a criação de clubes sociais e a sua regulação.

Alexandre Mergulhão apontou ainda que, com base em dados das Nações Unidas, o mercado ilegal da canábis, só na Europa, movimentava em 2010 mais de 10 mil milhões de euros, dinheiro que contribui para a corrupção da justiça e da política.

Para o responsável, está em causa muito mais do que uma planta que querem fumar livremente, sublinhando que a canábis tem sido uma planta alvo de muitos preconceitos.

Presente na concentração, Luana Vanessa diz-se a favor da legalização da canábis: “Acho que é a melhor opção, tanto para o uso medicinal, como recreativo. É muito melhor do que o álcool e do que o tabaco”.

Afirma que fuma charros e acredita que haver livre acesso à canábis é a melhor opção.

“As pessoas em vez de usarem antidepressivos e ficarem agarradas nisso, podiam simplesmente fumar uma ganza.”


Os participantes na marcha empunhavam vários cartazes, onde podia ler-se frases como “Cultiva liberdade”, “Uma planta para uso terapêutico”, “Guerra às drogas é guerra social. Legaliza” ou “a proibição traz o traficante”.

A marcha foi acompanhada por cerca de duas dezenas de elementos da Polícia de Segurança Pública.