A resposta das equipas de socorro após a queda da árvore que matou 13 pessoas e feriu 50 no Monte, Funchal, em agosto de 2017, foi "imediata". A garantia foi dada pelo presidente do Serviço Regional de Proteção Civil, no Parlamento madeirense.

Não nos foi dado conhecimento de qualquer dispositivo de socorro dedicado àquele evento, mas a capacidade de resposta foi imediata".

Vincando que apenas quatro minutos após o alerta estavam já abertos corredores de circulação para as viaturas de socorro, José Dias detalhou que o primeiro alerta foi recebido às 12:08 e às 12:13 chegou ao local o primeiro veículo dos bombeiros, sendo que os serviços hospitalares já tinham sido alertados para a necessidade de reforçar as equipas médicas.

Os recursos humanos e materiais foram suficientes e não houve falta de diálogo entre as várias entidades envolvidas. Houve um cuidado especial no sentido de garantir a dignidade das pessoas [que faleceram esmagadas pelo carvalho]".

No total, estiveram envolvidos 21 meios e 55 operacionais oriundos de sete entidades de socorro, inclusive de outros concelhos, o que elevou o patamar da ocorrência de municipal para regional, passando então a ser gerido pelo Serviço de Proteção Civil.

José Dias disse, por outro lado, que o Serviço de Proteção Civil não tinha conhecimento sobre o dispositivo de socorro previsto para o dia da festa do Monte, ao contrário do que aconteceu entre 2011 e 2015, nomeadamente com a indicação do número de viaturas e a sua localização no recinto.

No entanto, esclareceu que tal não é obrigatório, uma vez que se trata de um evento de cariz municipal.

O presidente da Proteção Civil foi ouvido esta sexta-feira em audição parlamentar na Comissão de Saúde e Assuntos Sociais, que também auscultou a presidente da Junta de Freguesia do Monte, Idalina Silva, na sequência de um requerimento apresentado pelo PSD.

A iniciativa surgiu depois de o presidente da Câmara Municipal do Funchal, Paulo Cafôfo, se ter recusado a comparecer perante os deputados para prestar esclarecimentos sobre os trágicos acontecimentos ocorridos a 15 de agosto de 2017. Cafôfo, recorde-se, foi constituído arguido neste caso.

A presidente da Junta de Freguesia do Monte salientou, por seu lado, que esta decidiu por unanimidade não realizar mais nenhum evento no Largo da Fonte enquanto não for feita uma "intervenção de fundo" ao nível da segurança das árvores da área, que são centenárias e de grande porte.

Idalina Silva, eleita em 2013 pelo PSD, salientou que o local é visitado diariamente por milhares de pessoas, tendo em conta que é um dos principais pontos turísticos da ilha.

A autarca disse aos deputados que o estado das árvores do Largo da Fonte e das áreas circundantes sempre despertou "preocupação", pelo que em janeiro de 2014 solicitou uma intervenção à Câmara Municipal do Funchal, então liderada pela coligação Mudança, agora transformada em coligação Confiança (PS/BE/JPP/PDR/Nós, Cidadãos!).

"O nosso alerta foi sempre para uma intervenção global nas árvores daquela zona", realçou, vincando que da parte da Câmara as intervenções foram sempre pontuais, o que a levou a solicitar apoio ao Instituto das Florestas e Conservação da Natureza, em agosto de 2017, poucos dias antes da queda do carvalho.

No âmbito deste caso, o Ministério Público revelou que foram constituídos arguidos o presidente da Câmara do Funchal, a vereadora com a pasta do Ambiente e o Chefe de Divisão de Jardins e Espaços Verdes Urbanos da autarquia.