A Polícia Judiciária portuguesa ajudou a polícia espanhola a desmantelar a maior rede de tráfico de cocaína da cidade de León, detendo 35 pessoas, uma das quais em Lisboa.

De acordo com as autoridades espanholas, os traficantes "utilizavam marinheiros e alegados turistas em cruzeiros como 'correios' para transporte de droga por via marítima a partir da América do Sul".

A investigação, que durou cerca de três anos, resultou na detenção de 35 pessoas (18 em León, oito em Valência, cinco em Barcelona, duas em Madrid, uma em Málaga e uma em Lisboa), bem como a apreensão de 35 quilos de droga e mais de 100 mil euros em dinheiro.

"A organização integrava fundamentalmente cidadãos colombianos estabelecidos em León e que, para as suas atividades, utilizavam vários imóveis e veículos", informou a polícia, acrescentado que a rede assentava "numa estrutura perfeitamente organizada, adquiria grandes quantidades de droga - principalmente na Colômbia - e movimentava-a para Espanha a bordo de embarcações".

Para isso utilizavam marinheiros a bordo de navios porta-contentores ou tripulação e turistas em navios de cruzeiro.

A droga chegava a localidades costeiras espanholas como Valência, Barcelona ou Málaga e era depois transportada para León, onde era processada em laboratório para posterior distribuição nas ruas.

A rede tinha também um braço económico, "que utilizava testas-de-ferro para ocultar" o dinheiro proveniente do tráfico. Depois, estes chefes contratavam pessoas, na maioria de origem sul-americana, para enviar o dinheiro de volta para a Colômbia.

De acordo com a polícia, entre os detidos incluem-se o máximo responsável da rede, os seus colaboradores mais diretos, pessoas que contratavam os "correios" de droga, marinheiros, alegados turistas e distribuidores (dealers) finais da droga em León.

A agência Lusa questionou a polícia espanhola sobre o papel que a pessoa detida em Lisboa tinha na rede de tráfico de droga, mas até ao momento não obteve resposta.

A investigação foi desenvolvida por agentes do Grupo de Estupefacientes da Brigada Provincial da Polícia Judicial de León e Brigada Provincial da Polícia Judicial de Valência. A polícia portuguesa colaborou na investigação, tal como a polícia argentina e italiana, bem como a agência Frontex (agência europeia de controlo de fronteiras) e brigadas de estupefacientes de várias cidades de Espanha.