O secretário de Estado do Ambiente, Carlos Martins, afirmou esta quarta-feira que o aparecimento de quatro estirpes de bactérias multirresistentes no Rio Ave, Norte de Portugal, está a ser acompanhado com “muito interesse”, não havendo motivos para alarme.

Quero tranquilizar os portugueses e, sobretudo, a região Norte dizendo que as entidades ligadas ao ciclo urbano da água estão muito atentas a esta situação e, caso haja risco para a saúde pública, não deixaremos de atuar tomando as medidas adequadas”, disse o governante à margem da cerimónia de apresentação de um novo autocarro 100% elétrico e silencioso, em Vila Nova de Gaia, distrito do Porto.

Em causa está o facto de terem sido identificadas quatro estirpes de bactérias que foram isoladas na água do rio Ave, todas 'Escherichia coli', com grande capacidade de resistência aos antibióticos, incluindo aqueles que se usam exclusivamente nos hospitais para tratamento de infeções graves (carbapenemos), conforme relatou em abril, à agência Lusa, o cientista Paulo Martins.

O cientista, que é um dos membros da investigação desenvolvida em parceria entre o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e Universidade de Friburgo, na Suíça, afirmou que os genes responsáveis pelas resistências das bactérias descobertas são idênticos aos identificados em bactérias isoladas em hospitais, como, por exemplo, a ‘Klebsiella pneumoniae', no Hospital de Vila Nova de Gaia.

Segundo Pedro Soares, este caso já é chamado no meio científico como "o mistério do rio Ave" e os investigadores mostraram-se "perplexos" com a descoberta destas bactérias, que acreditam ter "repercussões e consequências muito complicadas".

O secretário de Estado realçou que está a ser feito um conjunto de estudos significativos nessa matéria, mas o conhecimento científico de hoje ainda não permite antecipar aquelas que podem ser as implicações para a saúde humana.

As águas que correm no rio e aquelas que são rejeitas pelas Estações de Tratamentos de Águas Residuais cumprem as exigências e a legislação portuguesa e europeia”, salientou.

E realçou: “este problema dos micropoluentes de nova geração não só é novo como é um problema europeu e mundial”.

Carlos Martins realçou querer um bom ambiente, pessoas de boa saúde e a poder usufruir dos recursos hídricos.