As cheias do Mondego, em Coimbra, no início deste ano, provocaram cerca de dois milhões de euros de prejuízos, de acordo com o relatório de diversos serviços municipais, divulgado pela Câmara de Coimbra.

As cheias registadas em meados de fevereiro “provocaram prejuízos no património municipal avaliados num total de um milhão e 957 mil euros”, afirma um relatório elaborado por “vários departamentos camarários, incluindo o Serviço Municipal de Proteção Civil”, refere uma nota da autarquia divulgada esta sexta-feira.

A maior parte dos estragos verificou-se em “equipamentos públicos”, que totalizam mais de 700 mil euros, com “especial incidência nas duas margens do Parque Verde do Mondego”, e em muros de suporte e taludes, cujos prejuízos ultrapassam meio milhão de euros.

A recuperação de pavimentos afetados pelas inundações exige trabalhos que implicam gastos da ordem dos 430 mil euros, acrescenta o relatório, que não faz referência específica às cheias ocorridas no concelho um mês antes, sobretudo em 11 de janeiro.

Entre 12 e 15 de fevereiro registaram-se, com base nos relatórios da Autoridade Nacional de Proteção Civil e do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS), 154 ocorrências no concelho de Coimbra, sendo que estes prejuízos contabilizados no património municipal dizem respeito a 31”

Em 13 de fevereiro, pelas 23:00, “o caudal do Rio Mondego, medido no açude-ponte de Coimbra pela APA [Agência Portuguesa do Ambiente] e pelo CDOS, superou os 1.920 metros cúbicos por segundo”, adianta o relatório, realçando que se trata de “um valor apenas igualado nas cheias de janeiro de 2001”.

A “Obra do Mondego”, envolvendo, designadamente a construção do complexo da Barragem da Aguieira, a jusante da foz do Dão, nos concelhos de Mortágua (Viseu) e de Penacova (Coimbra) e cujas albufeiras ocupam territórios de seis municípios, foi dimensionada para caudais máximos de dois mil metros cúbicos no açude-ponte, em Coimbra.

Além dos efeitos no património municipal, as inundações de janeiro e fevereiro deste ano em Coimbra também causaram danos em bens privados e noutro património público, como o Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, naquela cidade, cujos prejuízos estão estimados em mais de meio milhão de euros.

No Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, que reabriu ao público na quinta-feira, depois de ter estado encerrado dois meses e meio, por causas das cheias, as intervenções de recuperação e restauro do monumento e outros trabalhos, designadamente de construção civil e relacionados com equipamentos, sobretudo elétricos, envolvem custos avaliados entre 500 mil e 600 mil euros, de acordo com a diretora Regional da Cultura do Centro, Celeste Amaro.