Elementos da direção de um centro social de Chaves denunciaram esta quarta-feira uma alegada fraude na inscrição de utentes perante a Segurança Social, que estaria a pagar serviços mais caros mas de que os idosos não usufruíam.

O Centro Distrital de Segurança Social de Vila Real confirmou à agência Lusa que recebeu um e-mail sobre estas denúncias, entretanto remetido para os serviços de fiscalização da zona norte, que irão agora averiguar o assunto.

As denúncias foram feitas contra o presidente demissionário do Centro Social da Abobeleira, em Valdanta, concelho de Chaves, por elementos da direção que se mantiveram em funções.

Alcino Sá, tesoureiro da instituição, explicou que foram detetadas situações de idosos inscritos na valência de apoio domiciliário, só que esses utentes estavam, na verdade, a beneficiar da valência de centro de dia.

Este responsável falou numa alegada «fraude à Segurança Social», pois a «comparticipação não é igual, é menor na valência de centro de dia e maior no apoio domiciliário».

Celsa Colmonero, 88 anos, era uma das utentes que estava inscrita no apoio ao domiciliário mas que afirmou que apenas usufruiu da valência de centro de dia, onde está desde 2011.

A idosa contou que até esteve doente e teve que ficar em casa, sem nunca ter tido a visita de alguém do centro.

«Mais grave do que isso ainda é que, na valência de apoio ao domicílio, estavam inscritos utentes a quem nós não prestávamos contrapartida nenhuma, nenhum serviço de apoio», acrescentou o tesoureiro.

Alcino Sá referiu também que as prestações cobradas aos utentes no lar não cumpriam as normas e eram «mais ou menos a olho».

A agência Lusa tentou obter declarações do presidente demissionário mas, apesar da insistência, tal não foi possível até ao momento.

O tesoureiro sublinhou que, por pressão dos restantes elementos da direção, as situações de inscrições mal feitas foram entretanto corrigidas mas, mesmo assim, defendeu que a Segurança Social tem que realizar uma ação inspetiva no centro e referiu que seguiu também uma queixa para o Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP).

As divergências entre os elementos da direção levaram à demissão do presidente, que convocou eleições para o passado fim de semana, as quais acabaram por não se realizar, uma situação que gerou alguma confusão e até obrigou à intervenção da GNR.

Aurora Carvalho, que também faz parte da direção, considerou que estas eleições terão que ser apenas parciais e não gerais porque os elementos que se mantiveram em funções estão em maioria.

Esta responsável referiu ainda que esta semana as contas da instituição foram bloqueadas, pelo que não é possível, agora, «proceder ao pagamento de contas quer aos funcionários, quer aos fornecedores».

«Ao não termos dinheiro para pagar, não temos dinheiro para adquirir os bens essenciais para os utentes que estão aqui», salientou.

Esta situação está a preocupar as 25 funcionárias do centro de apoio que dizem estar com os «salários comprometidos».

Júlia Brochado, trabalhadora e delegada sindical, chamou a atenção para as dificuldades destas famílias, algumas das quais «já não têm dinheiro para dar de comer aos filhos».