O vereador do Urbanismo da Câmara de Lisboa disse hoje que a remodelada Segunda Circular pode vir a contemplar, no futuro, ciclovias e passeios pedonais, infraestruturas pedidas por ambientalistas e utilizadores de bicicleta.

“A obra está preparada para que no futuro possa acolher transporte coletivo em sítio próprio, ciclovias e passeios pedonais onde se justifique”, declarou Manuel Salgado, que intervinha num debate sobre o projeto da Segunda Circular promovido pela Assembleia Municipal de Lisboa, no Hotel Roma.

De acordo com o autarca, “no projeto de execução serão introduzidos aperfeiçoamentos” face ao que é proposto e que esteve em consulta pública até à passada sexta-feira, assentando na reformulação de alguns acessos e dos nós de acesso e na redução da velocidade de 80 para 60 quilómetros/hora, de forma a melhorar a fluidez do tráfego e conferir mais segurança à via.

O município quer também criar um separador central maior e arborizado, reduzir a largura da via da direita, montar barreiras acústicas, reabilitar a drenagem e do piso e renovar a sinalética e a iluminação pública.

Manuel Salgado anunciou que “haverá uma nova auditoria de segurança rodoviária e o projeto será revisto por uma entidade independente”.

Intervindo na sessão, que contou com cerca de 150 pessoas, Paulo do Carmo, da associação ambientalista Quercus, sustentou que “é importante considerar a inclusão de uma ciclovia”.

O especialista sugeriu também que “alguns veículos possam ter prioridade”, referindo-se aos elétricos, híbridos e a gás, e recomendou à câmara que monitorize a qualidade do ar e o ruído.

Tiago Farias, presidente da Transportes de Lisboa (‘holding’ que detém a Carris e o Metropolitano) recordou que “a Segunda Circular não é um eixo frequentemente inundado por transportes públicos”, sendo essencialmente usado pela carreira 750, que liga a estação do Oriente a Algés.

O responsável questionou “até que ponto é que, nas entradas e saídas, há possibilidade de dar alguma prioridade aos transportes coletivos”.

Já o presidente do Automóvel Club de Portugal, Carlos Barbosa, alertou que “o separador central não fornece segurança e há sérios riscos de ser transposto”.

Também o presidente da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, Jorge Jacob, ressalvou que “era bom que houvesse uma coluna de arbustos para demover as pessoas de atravessarem”.

Quanto a números, revelou que entre 2010 e 2016 houve 12 mortos nesta via, seis em atropelamentos, três em colisões e outros três em despistes.

A representar os táxis, António Marques (Federação Portuguesa do Táxi) solicitou uma faixa reservada aos transportes públicos, enquanto Florêncio Almeida (Associação Nacional dos Transportadores Rodoviários em Automóveis Ligeiros) pediu que se trate “primeiro dos automóveis, porque o ciclista passa por um sítio qualquer”.

Da Associação Portuguesa dos Arquitetos Paisagistas, Margarida Cancela de Abreu observou que esta é uma “oportunidade muito importante para reforçar estrutura ecológica” da cidade.

Intervindo na parte do público, a provedora municipal dos animais de Lisboa, Inês de Sousa Real, defendeu que o projeto poderá servir para aumentar a biodiversidade.

Orçadas em 12 milhões de euros, as obras devem iniciar-se em junho, durando 11 meses.