O eurodeputado do PSD, Mário David exortou José Saramago a renunciar à cidadania portuguesa, esta terça-feira, por se sentir «envergonhado» com as recentes declarações do Nobel da Literatura.

Mário David, vice-presidente do Partido Popular Europeu (PPE), escreveu esta terça-feira na sua página pessoal na Internet «Saramago: Já chega».

No texto lembra que o escritor, «há uns anos, fez a ameaça de renunciar à cidadania portuguesa. Na altura, pensei quão ignóbil era esta atitude. Hoje, peço-lhe que a concretize... E depressa! Tenho vergonha de o ter como compatriota! Ou julga que, a coberto da liberdade de expressão, se lhe aceitam todas as imbecilidades e impropérios?».

«Se a outorga do Prémio Nobel o deslumbrou, não lhe confere a autoridade para vilipendiar povos e confissões religiosas, valores que certamente desconhece mas que definem as pessoas de bom carácter», conclui o eurodeputado em dois parágrafos curtos.

«Bíblia é um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade»

No sábado, José Saramago lançou o novo livro, «Caim», e considerou a Bíblia «um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana».

Saramago deve «informar-se melhor»

Contactado pela agência Lusa, o eurodeputado disse que as afirmações «são pessoais e não representam o partido» porque foi eleito. Acrescentando que «não está interessado em entrar em polémica». Questionado se já leu «Caim», respondeu: «Não li, nem vou ler, ou é obrigatório?», ironizou.

«Esta posição é pessoal e vincula-me só a mim. Nem sequer sou católico praticante, mas tenho o direito à indignação», justificou, acrescentando que se sentiu «violentado» pelas declarações de Saramago. Na sua opinião estas são «atentatórias da consciência e sentimentos dos outros».