A Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) afirmou esta quarta-feira que está a "acompanhar o destino" do quadro “O Almoço do Trolha”, obra adquirida em leilão por um particular e cujo processo de classificação vem publicado em "Diário da República".

A publicação, esta quarta-feira, do anúncio de abertura do processo de classificação do quadro de Júlio Pomar em "Diário da República", estabelece oficialmente que a obra está em vias de se tornar num "bem móvel de interesse público".

Contactada pela agência Lusa sobre a situação da tela, comprada em leilão, por 350 mil euros, a 27 de maio, por um particular português que não quis identificar-se, fonte da DGPC disse que a entidade "está a acompanhar o destino do quadro", considerado um ícone do movimento neorrealista português.

"Congratulamo-nos com a publicação do processo de classificação em Diário da República na medida em que vem clarificar a situação do quadro, que está protegido, garantindo ainda que fica em Portugal", acrescentou a mesma fonte.


Assim que o leilão foi anunciado publicamente, a leiloeira Palácio do Correio Velho, em Lisboa, recebeu uma notificação da DGPC dando conta da abertura de um processo de classificação do quadro.

O processo agora oficialmente aberto pela DGPC pode demorar até um ano a estar concluído, mas, de acordo com a Lei de Bases do Património Cultural, a partir do momento que é iniciado a obra fica legalmente protegida.

Com vários interessados no quadro, cuja base de licitação era de 300 mil euros, a DGPC fez-se representar no leilão, e tinha o direito de preferência, mas não conseguiu reunir a verba para adquirir o quadro.

A tela foi exposta ainda inacabada em 1947, na segunda Exposição Geral de Artes Plásticas da Sociedade Nacional de Belas Artes, enquanto Júlio Pomar, então com 21 anos, se encontrava preso no Forte de Caxias, e só seria terminado em 1950.

Com 150 centímetros por 120, "O Almoço do Trolha" mostra um trabalhador da construção civil a comer um modesto almoço sentado na rua, junto à mulher e o filho.

"O Almoço do Trolha" foi levado a leilão pela família do colecionador Manuel Torres, falecido este ano, e que foi, na década de 1950, um dos sócios fundadores da Gravura – Sociedade Cooperativa de Gravadores Portugueses, por onde passaram dezenas de artistas, tornando-se, ao longo de meio século, uma das principais divulgadoras da arte moderna em Portugal.