A Amnistia Internacional defendeu esta sexta-feira que os líderes europeus deviam envergonhar-se pela forma como estão a tratar os refugiados sírios.

Numa comunicação intitulada «Um falhanço europeu: a crise dos refugiados sírios», a organização afirma que a União Europeia (UE) só se disponibilizou a acolher 12 mil refugiados dos 30 mil que o Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) dizia ser necessário.

«A UE falhou miseravelmente no desempenho do seu papel na criação de um refúgio seguro para os refugiados que perderam tudo menos as suas vidas», disse o secretário-geral da Amnistia, Salil Shetty.

«O número de pessoas que está preparado para reorganizar a sua vida é verdadeiramente lamentável», acrescentou.

O secretário-geral da Amnistia Internacional apelou aos líderes da UE para que abram as fronteiras no sentido de proporcionar uma passagem segura para os que procuram refúgio.

Apenas dez estados-membros se disponibilizaram a acolher refugiados sírios, de acordo com um relatório da Amnistia Internacional.

Dos 12 mil lugares disponibilizados, 10 mil foram pela Alemanha, enquanto a França disponibilizou 500 e a Espanha 30.

Dezoito Estados-membros da UE, incluindo o Reino Unido e Itália, prometeram que disponibilizavam lugares.

A Amnistia refere que a baixa possibilidade de ser concedido asilo está a forçar os refugiados a arriscarem as suas vidas empreendendo longas viagens.

Na terça-feira, aterraram no aeroporto de Lisboa, a bordo de um avião da companhia portuguesa TAP proveniente da capital guineense, 21 crianças, 15 mulheres e 38 homens que alegam ter nacionalidade síria, mas que estavam munidos de passaportes turcos, ao que tudo indica falsos.

Os 74 cidadãos foram retidos à chegada e pediram asilo político a Portugal, que lhes concedeu um visto especial de entrada por razões humanitárias, enquanto aguardam a conclusão do processo em centros de acolhimento fornecidos pela Segurança Social.