Um ano sem dar missas e prestar outros sacramentos, em locais públicos ou privados, "com participação de grupos de fiéis" e três anos sem poder administrar bens eclesiásticos. É o castigo aplicado pelo bispo D. António Marto ao padre Joaquim Rodrigues Ventura.

A punição, segundo a Agência LUSA, surge na página da internet do Santuário de Fátima e tem apenas uma atenuante para o padre que, durante 50 anos, foi diretor do colégio diocesano de S. Miguel, em Fátima, ao qual deverá ter de devolver 1,2 milhões de euros. 

"A exceção para a celebração de sacramentos ou sacramentais de familiares diretos", segundo refere a nota do Santuário de Fátima é a partir de agora a única prerrogativa do padre de 87 anos, que recentemente lançou um livro, designado como auto-biográfico, intitulado "Retalhos de uma vida sacerdotal – In Manibus Tuis Sortes Meae".

Donativos de 1,8 milhões de euros

Entre o padre Joaquim Ventura e o seu sucessor à frente do colégio diocesano de S. Miguel, em Fátima, padre Adelino Guarda, há desentendimentos há alguns anos, que passam por alegados donativos feitos à Fundação Arca da Aliança.

Até 2012, Joaquim Ventura presidiu ao colégio e à Fundação. Ao cabo de 50 anos como diretor do colégio foi substituído pela padre Adelino Guarda e um ano depois acusado por este de ter contas pouco certas.

Em tribunal, no âmbito de um processo cível, terá havido uma conciliação que levou a Fundação Arca da Aliança a pagar 1,2 milhões de euros ao colégio de S. Miguel, a “título de danos patrimoniais e não patrimoniais”, como contava o Jornal de Leiria no passado mês de fevereiro.

Em causa estavam alegados donativos feitos pelo colégio à Fundação, que ascenderiam a cerca de 1,8 milhões de euros. O acordo estipulava ainda a devolução de vários imóveis, alguns dos quais pertenciam antes à instituição de ensino.

Padres continuam desavindos

Apesar do acordo alcançado em tribunal, o lançamento do livro do padre Joaquim Ventura não deitou propriamente água benta nas relações com o seu sucessor à frente do colégio de S. Miguel, que o veio publicamente acusar de não falar à verdade.

O senhor mentiu-me nos dias 10 de maio de 2012, 18 de junho de 2012 e 25 de julho de 2012; enganou-me com as escrituras dos terrenos – “O advogado está a fazer o registo dos terrenos do Colégio, para ficar tudo só num número”! quando afinal até já estava feita a mudança de propriedade, a favor da Fundação, de terrenos do Colégio, refere o padre Adelino Guarda numa carta-aberta publicada a 10 de abril na página do colégio na internet.

A pena do atual diretor acusa ainda o seu antecessor de "trafulhices" e pouca honestidade.

Desviou indevidamente quantidades colossais de dinheiro do Colégio e inventou uma parceria para o justificar, usando o facto de ser o senhor a cabeça das duas instituições; as trafulhices continuaram com as libras de ouro; em palavras suas, “fez tudo isto, e muito mais”. Nunca deu um passo para devolver ao Colégio uma pequena parte do que indevidamente lhe retirou: nunca fez uma proposta concreta para a resolução do conflito, que sempre esteve nas suas mãos, apesar de ter sido instado a tal, de forma veemente, pelo nosso bispo!", acrescenta o padre.

Um novo episódio surge agora com o bispo de Leiria-Fátima a intervir, retirando ao padre Joaquim Ventura, de 87 anos, a possibilidade de administrar bens eclesiásticos e de celebrar sacramentos e sacramentais. A não ser que seja a familiares.