O antigo primeiro-ministro Pedro Santana Lopes assegurou, em entrevista à Visão, que a sua intervenção política no PSD “acabou”, mas sem esclarecer se se irá desfiliar deste partido e se pretende fundar uma nova formação política.

A minha intervenção política não se fará mais dentro do PSD, isso acabou”, afirmou, comparando a sua relação com o partido que já liderou a um casal que deixa de viver junto.

Questionado se pretende desfiliar-se do PSD, responde: “Ainda não sei de que modo vou formalizar (…). Não desisti nem desisto de lutar pelo meu país. Agora, tenho de ver qual é o melhor modo para contribuir, para lutar pelo meu país”.

Com intervenção política no PSD, não. Isso acabou. Mas acabou mesmo”, acrescentou, justificando que foi para “clarificar” que se candidatou pela última vez à liderança do partido contra Rui Rio em janeiro deste ano, saindo derrotado com 46% dos votos.

Santana Lopes assegura que esta decisão de ‘romper’ com o PSD “nada tem a ver com Rui Rio”, a quem deseja felicidades. No entanto, aponta uma aproximação “incontestável” do PSD ao PS e diz temer que se esteja perante um cenário político de “hegemonia do PS” e “balanceado à esquerda”, com consequências negativas em matérias fraturantes como a eutanásia.

À pergunta se admite criar um novo partido, a resposta também não é taxativa, embora admita que já por “várias vezes” pensou que seria melhor criar uma nova organização partidária em que pudesse sentir-se “mais à vontade para ter a intervenção política” que entende ser adequada.

Essa como sabe é uma conversa recorrente. Os partidos não são clubes de futebol (…). Um partido político é um instrumento de organização e expressão de vontade popular”, refere.

Perante a insistência do jornalista, Pedro Santana Lopes diz não querer responder taxativamente, por já ter “pagado por isso” no passado.

Não quero responder porque ainda não cheguei à conclusão de como é que vou formalizar isto”, afirma.

Na entrevista que irá para as bancas esta quinta-feira, são também abordados temas como a situação do Sporting – sobre o qual confirma ter recusado um convite para assumir a Comissão de Gestão – e a entrada da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), de que foi provedor, no capital do Montepio.

Eu nunca fui nem a favor nem contra, mandei estudar. Tive todas as autoridades do Estado a pedirem-me para a SCML entrar no Montepio”, afirma, precisando que, no caso do Presidente da República, este pelo menos “não era contra”, e lamentando que o PSD se tenha aliado ao CDS nas críticas a este processo sem lhe ter dado “uma palavra”.