O presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, manifestou-se preocupado com a situação do país, explicando que esta preocupação não resulta dos acontecimentos dos últimos dias mas existe já «há muito tempo» e reiterando a urgência de «salvar o regime».

«Como cidadão estou preocupado com a situação do país. Não estou preocupado só hoje. Já estou preocupado há muito tempo. Acho que qualquer cidadão está preocupado», começou por responder aos jornalistas à margem do almoço¿debate promovido pelo International Club of Portugal.

Explicando que não no seu discurso não iria «falar da espuma dos dias, ou seja, daquilo que aconteceu nos últimos dois dias ou nas últimas duas semanas», Rui Rio considerou que «as coisas não aconteceram por acaso» nem que aquilo que Portugal está «a viver é fruto das últimas horas ou dos últimos anos, é fruto de algo muito lá mais atrás».

«O regime em que nós vivemos apresenta situações de desgaste tremendo e nós ou somos capazes de arranjar soluções para salvar o regime ou então isto julgo que não pode acabar bem», alertou.

Questionado sobre se a culpa é dos políticos, o social-democrata põe em primeiro lugar a responsabilidade «da política», e não dos políticos.

«Cabe à política liderar mas não é só da política. A responsabilidade é transversal na sociedade. Somos todos responsáveis por construir um país melhor e encontrar as reformas adequadas num regime que dá sinais fortíssimos de desgaste e que nós não podemos permitir que ele acabe», defendeu.

Rejeitando responder se aquilo que está a acontecer é «taticismo ou deixa de ser», Rio foi perentório: «a sociedade que nós hoje temos é consequência daquilo que eu disse».

O autarca do Porto não consegue «conceber o regime sem os partidos» mas reiterou a necessidade de «olhar para a forma como eles funcionam e tentar gerir as coisas de uma tal maneira que os condicione para não ficarem assim, para ficarem melhores».

Rui Rio evidenciou ainda a sua «experiência acumulada» que leva a que possa ter «determinadas ideias que possam ser úteis», realçando, no entanto, que «há muitas outras pessoas em Portugal com experiência acumulada, da política e fora dela, que poderão ter ideias ainda mais úteis» que as que defende.

«Esse contributo é possível dar na política ou fora dela, todos nós podemos dar esse contributo. Eu acho que é uma obrigação de todos nós, nos nossos pequenos atos, tentarmos pelo menos não sermos incoerentes com aquilo em que acreditamos. E às vezes somos», sublinhou.

O presidente da Câmara do Porto fez questão de explicar que as reformas que defende não são aquelas de que se tem «falado nos últimos dois, três ou quatro anos».

«Se se tem degradado aquilo que é a razão de existência do próprio regime, temos de introduzir reformas de forma a tentar salvaguardar aquilo que é fundamental», declarou.

Rio reiterou que esta opinião «não tem nada a ver com o que se passou nas últimas horas nem nos últimos dois anos» mas sim «com a evolução do regime».

Questionado sobre a necessidade de mudar de protagonistas, o social-democrata rejeitou «entrar por ai».

«Eu estou disponível para fazer mais como cidadão e acho que todos devemos estar. Mais do que isso...», respondeu quando questionado se estaria ¿disponível para fazer mais».