O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, considerou esta segunda-feira que o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, fez bem em sublinhar a importância da política externa para o exercício das funções presidenciais.

Excluindo-se do círculo de possíveis candidatos às presidenciais de 2016, Rui Machete assumiu esta posição no final de um encontro com o seu homólogo argelino, Ramtane Lamamra, em Argel, depois de questionado sobre as considerações feitas por Cavaco Silva no prefácio do «Roteiros IX», publicação que reúne as suas principais intervenções no último ano.

«Eu concordo que, já antes do magistério do professor Cavaco Silva, mas agora talvez [isso seja] mais reforçado, o conhecimento e a experiência em matéria de política externa é importante, certamente. Não é propriamente uma novidade, mas ele fez bem em sublinhar esse aspeto», declarou Rui Machete aos jornalistas.

Sem sugerir qualquer nome para a próxima corrida a Belém, o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros disse que «há várias pessoas com experiência de política externa», mas acrescentou que «não quer dizer que toda a gente que tem experiência de política externa possa ser candidato ou pretenda ser candidato».

Interrogado sobre o seu caso pessoal, respondeu: «No meu caso, não tenho razão para ser incluído no círculo dos candidatos, nunca manifestei essa intenção». Rui Machete insistiu que «não tem sentido» colocar essa possibilidade: «Nunca pensei nisso, nem penso».

No prefácio do «Roteiros IX», que dedica ao tema da diplomacia presidencial, Cavaco Silva sustenta que se assistiu no início do século XXI «a um reforço do papel do Presidente no domínio da política externa de tal forma que esta é hoje uma das suas principais funções».

Cavaco Silva, que está a um ano de terminar o seu segundo mandato presidencial, defende que, «nos tempos que correm, os interesses de Portugal no plano externo só podem ser eficazmente defendidos por um Presidente da República que tenha alguma experiência no domínio da política externa e uma formação, capacidade e disponibilidade para analisar e acompanhar os 'dossiers' relevantes para o país».