O ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, considerou esta quarta-feira que a zona do Mediterrâneo pode ser «um motor da economia global», sublinhando que os países desta região representam um mercado de 280 milhões de consumidores.

«O novo contexto económico que se abre agora na Europa e as reformas muito encorajadoras que se têm consolidado entre os nossos parceiros do sul, garantem-nos, no Mediterrâneo, uma nova visibilidade e permitem-nos demonstrar aos investidores internacionais, de forma confiante e credível, que a nossa região pode constituir um motor da economia global», sustentou Rui Machete.

O governante intervinha na sessão de abertura do II Fórum Económico e Empresarial do Diálogo 5+5, que reúne hoje em Lisboa mais de 400 representantes de empresas, ministérios e associações empresariais dos dez países do Mediterrâneo Ocidental (Portugal, Espanha, França, Itália e Malta, do lado da Europa, e Mauritânia, Marrocos, Argélia, Tunísia e Líbia, do lado africano).

Rui Machete advogou que os Estados e empresas dos dez países devem «promover o Mediterrâneo Ocidental, tornando-o ainda mais atraente, mais dinâmico e mais eficiente», defendendo a necessidade de «ir mais além no apoio à inovação, à investigação e à formação, essenciais para abrirmos as portas do futuro».

Apesar de dimensões e dinâmicas diferentes, os países das duas margens do Mediterrâneo «partilham as mesmas ambições: promover o investimento, fortalecer os intercâmbios, mobilizar mais atores económicos, construir parcerias fortes e diversificadas, partilhar conhecimentos e avanços tecnológicos e facilitar as condições de mobilidade e circulação dos cidadãos e dos empresários», sustentou.

O chefe da diplomacia portuguesa recordou que, segundo a Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento, em 2013 a região representou 8,7% das exportações e 9,3 % das importações mundiais.

Os dez países contam com mais de 280 milhões de cidadãos, mas o mercado potencial alcança os 700 milhões de pessoas, entre as 530 milhões de pessoas no norte e as mais de 170 milhões no sul do Mediterrâneo.

«São números que devem encorajar-nos a ir mais longe e a sermos mais ambiciosos. Bastante mais ambiciosos do que temos sido até aqui», desafiou Rui Machete.

Também na sessão da abertura, Ahmed Ould Teguedi, ministro dos Negócios Estrangeiros da Mauritânia - que copreside, juntamente com Portugal, ao Diálogo 5+5 -, considerou que «é inegável que a solidez das relações políticas, a segurança no espaço e a amizade entre os povos conduzem à cooperação económica entre os países e poderão trazer um crescimento na parte sul da África, que sofre de pobreza e de subdesenvolvimento».

O secretário-geral da União para o Mediterrâneo, Fathallah Sijilmassi, afirmou que os países do Mediterrâneo Ocidental querem «ir mais longe e mais depressa», admitindo promover mais encontros regulares para reforçar «o conhecimento mútuo e as parcerias».

Sijilmassi defendeu que a necessidade de discutir «todos os assuntos» que interessam às empresas, nomeadamente o acesso ao financiamento por parte das empresas, os sistemas de garantias, a abertura de mercados ao norte, as questões marítimas ou a segurança dos investimentos, propondo a criação de um conselho de negócios, com o apoio dos governos.

O responsável afirmou a sua satisfação pela mobilização que o fórum motivou e por todos os países terem «uma representação importante», destacando em particular a delegação líbia, numa altura em que aquele país atravessa «uma situação complicada».