A insuficiência renal crónica é uma doença silenciosa que se estima atingir um em cada 10 portugueses e que devia, por isso, ser alvo de rastreio nos centros de saúde, disse o vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Nefrologia.

Segundo afirmou João Frazão à Lusa, quando os doentes chegam aos cuidados de saúde especializados já se encontram numa fase avançada da insuficiência renal, o que torna mais difícil o seu combate, tendo em conta que, na grande maioria das situações, é uma doença progressiva e irreversível.

«Há ainda muito a fazer em termos de rastreio da doença e os médicos de família têm um papel fundamental», disse.

Contudo, adiantou, no Dia Mundial do Rim, que se comemora quinta-feira, o grande alerta é para as pessoas em geral tomarem consciência da importância de vigiar a sua saúde, conhecendo a doença, a prevenção e os seus riscos.

«É uma doença com consequências devastadoras. A nível europeu estima-se que 5 por cento da população sofra de insuficiência renal crónica», referiu.

Segundo o nefrologista, é importante que as pessoas procurem o seu médico, façam análises com frequência, tomando assim medidas simples que podem ter resultados importantes.

«Os teus rins são vida»

Para assinalar o Dia Mundial do Rim, a Sociedade Portuguesa de Nefrologia junta-se à Associação Portuguesa de Insuficientes Renais (APIR) e à Câmara Municipal de Oeiras para a realização de várias acções de sensibilização.

Sob o tema «Os teus rins são vida», a iniciativa reúne idosos e crianças num workshop de dança e em oficinas de pinturas faciais, esculturas de balões e num teatro de fantoches com o tema «Vida Saudável».

No Porto, a Associação de Doentes Renais no Norte de Portugal realiza uma acção de sensibilização alertando para a prevenção da doença.

Colocando também a tónica na prevenção e no rastreio, os hospitais e clínicas da rede Saúde CUF promovem acções de sensibilização para a saúde dos rins. A iniciativa «Aposte na Prevenção - um conselho Saúde CUF» alerta para os cuidados a ter, já que a maioria das doenças renais é tratável se for detectada a tempo.

Os números da doença

No final de 2007, o número de dependentes de tratamento de substituição da função renal em Portugal era de quase 15 mil, dos quais mais de 9 mil estavam a fazer hemodiálise. O número de novos doentes, só nesse ano, foi de quase 2.500.

No âmbito desta acção, vão ser dados conselhos sobre medidas preventivas e identificadas as pessoas com risco de desenvolver doença renal, nomeadamente diabéticos, hipertensos, obesos, fumadores e maiores de 50 anos, para além de pessoas com história familiar de doença renal, diabetes ou hipertensão.

Em todo o mundo, a doença renal crónica atinge 400 a 600 milhões de adultos, o que corresponde a cerca de 5 por cento da população do globo.