O Presidente da República escusou-se hoje a comentar a venda de 85 quadros de Joan Miró, alegando que o caso já se transformou numa «arma de arremesso na luta política» e que há uma decisão judicial.

Miró: Ministério Público avança com segunda providência cautelar

«Aprecio muito Miró como pintor, mas entendo que, tendo os seus quadros emergido como uma arma de arremesso na luta político-partidária e tendo havido uma decisão de uma juíza, eu não devo comentar o assunto», disse o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, em declarações aos jornalistas no final da cerimónia de inauguração das novas instalações da Novartis em Portugal, no Taguspark, no concelho de Oeiras.

A leiloeira Christie's cancelou na terça-feira a venda de 85 quadros de Joan Miró provenientes da coleção do ex-BPN, afirmando, em comunicado, que a decisão resultou «da disputa nos tribunais portugueses», na qual «não é parte interessada».

«Apesar de a providência cautelar não ter sido aprovada, as incertezas jurídicas criadas por esta disputa em curso significam que não podemos oferecer as obras para venda de forma segura», disseram os responsáveis da Christie's no comunicado, lembrando ter «responsabilidade perante os compradores» de garantir «que a propriedade pode ser transferida sem problemas».

Em causa está um conjunto de obras do pintor catalão que ficou nas mãos do Estado após a nacionalização do Banco Português de Negócios (BPN), e que o Governo pretendia vender num leilão organizado pela Christie's, em Londres, na terça-feira e hoje.

A providência cautelar foi interposta pelo PS para impedir o leilão da coleção de arte de Miró se realizasse.