O presidente do Instituto Francisco Sá Carneiro, Alexandre Relvas, afirmou quinta-feira que o país não pode aceitar a «loucura» dos grandes investimentos públicos projectados pelo Governo, como a terceira travessia sobre o Tejo, em altura de crise, escreve a Lusa.

Durante uma tertúlia promovida pela JSD da Amadora, o social-democrata referiu que os grandes investimentos públicos, a que se contrapõem as propostas de investimento «de proximidade» do PSD, não têm sido submetidos aos critérios de avaliação necessários.

Para Alexandre Relvas esses critérios são: «emprego já», consequências para o endividamento e para orçamentos de Estado futuros e rentabilidade económica.

Para o político social-democrata, projectos como a ponte entre Chelas e o Barreiro ou a construção de 1.300 quilómetros de estrada vão gerar dívidas de longo prazo, a serem suportadas pelas próximas gerações, sem contribuir para atenuar de forma directa e imediata as dificuldades das famílias e das empresas.

PSD denuncia a «loucura» dos investimentos

A recuperação do parque escolar, da habitação degradada e do património histórico são, no seu entender, um exemplo de uma forma muito mais eficaz e rápida de o fazer.

«O país está demasiado apático à loucura dos investimentos públicos, que todos nós e os nossos filhos pagaremos ao longo de anos. O país não pode aceitar esta loucura, isso tem sido denunciado pelo PSD e ninguém pode calar a nossa voz», assegurou o ex-secretário de Estado do Turismo.

Estado «opressor e pesado»

Durante a tertúlia, Alexandre Relvas recordou o plano combate à crise apresentado recentemente pela líder social-democrata, Manuela Ferreira Leite, centrado no apoio às pequenas e médias empresas (PME), «única forma de criar emprego sustentável» e medida de reforço da competitividade.

Já o programa do executivo de José Sócrates, segundo Alexandre Relvas, «desvaloriza as empresas» e sustenta um Estado «opressor e pesado», não tendo ainda recebido a total concordância de «nenhum» economista.