O candidato presidencial Paulo Morais anunciou esta quinta-feira, em Peniche, que, se for eleito, vai criar um gabinete para motorizar as promessas dos políticos e penalizar quem não cumpre.

Paulo Morais disse querer "erradicar a mentira da sociedade portuguesa", por considerar que "não é aceitável que na política se minta sistematicamente sem qualquer penalização".

Em declarações aos jornalistas, no final de uma visita à Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar de Peniche, pertencente ao Instituto Politécnico de Leiria, o candidato disse que, se for eleito, pretende "criar um gabinete que irá permanentemente avaliar a relação entre as promessas eleitorais e o que efetivamente é cumprido".

Na ocasião, Paulo Morais lembrou Durão Barroso, José Sócrates e Passos Coelho que, segundo o candidato, prometeram em campanha eleitoral "que jamais aumentariam impostos e, mal tomaram o seu lugar de primeiro-ministro, fizeram exatamente o inverso".

Para Paulo Morais, só existe uma "solução para este comportamento de mentirosos, que é demiti-los".

Colocando como prioridades da sua candidatura o combate à corrupção e a luta pela transparência e pela liberdade de expressão, Paulo Morais reagiu ao anúncio do Grupo Lena de avançar com um processo judicial contra si por, nos últimos dias, ter afirmado que o ex-primeiro-ministro José Sócrates favoreceu aquele grupo empresarial enquanto esteve no Governo.

"Estamos num estado democrático. Se esse grupo entendeu fazer uma queixa em tribunal contra mim, tem esse direito. Eu terei o meu direito de defesa", disse Paulo Morais, recordando que na sua vida "tem vindo a denunciar um conjunto de casos de corrupção, tráfico de influências e de mau uso dos dinheiros públicos", motivo pelo qual tem tido outros processos em tribunal, tendo ganhado até agora todos.

Num comunicado emitido na quarta-feira, o Grupo Lena referiu que o candidato "proferiu afirmações falsas e difamatórias para obter vantagens políticas", não se revendo nas acusações de ter "trocado favores com José Sócrates".

Segundo o grupo económico, que cita dados públicos, nos sete anos anteriores ao Governo de José Sócrates (1998 a 2004) a sua quota de mercado com obras públicas foi de 2,93%, acima da que teve entre 2005 e 2011, quando Sócrates foi primeiro-ministro, 2,54%.

De visita a uma escola superior, o candidato presidencial defendeu que "é uma pena que um país tão rico não aproveite as suas riquezas, vivendo num verdadeiro inferno, porque falta colocar os recursos do país ao serviço da sua população, quando se podia viver quase à porta do paraíso", pelo que a valorização dos recursos naturais do país é outra das apostas da sua candidatura.