O investimento no Serviço Nacional de Saúde (SNS) permitiu um retorno económico de 5 mil milhões de euros no ano passado. O Índice de Saúde Sustentável 2017, desenvolvido pela NOVA Information Management School (NOVA-IMS), da Universidade Nova de Lisboa, é apresentado esta terça-feira, e conclui que os ganhos em termos de redução do absentismo (faltas ao trabalho) e de melhorias na produtividade. 

O impacto do SNS no absentismo laboral e na produtividade permitiu uma poupança de 3,3 mil milhões de euros, o que se traduziu num retorno económico de 5 mil milhões de euros, prova do valor do investimento em Saúde para a Economia”.

O trabalho da Nova IMS relativamente ao índice de sustentabilidade na saúde tem vindo a ser feito desde 2014 e todos os anos complementa o anterior com indicadores novos. Este ano, mediu pela primeira vez (em euros) o impacto do SNS na produtividade dos portugueses, tanto sob o ponto de vista dos salários como do absentismo.

Em termos de absentismo, concluímos que o SNS terá contribuído para uma redução do absentismo em média de 1,9 dias por indivíduo e que terá tido um impacto na produtividade que será o equivalente a 7,3 dias de trabalho não perdidos”

Pedro Simões Coelho, coordenador principal do estudo, explicou à Lusa que “combinando estas duas componentes, traduzindo em valor económico por via dos salários teríamos um impacto do SNS pela redução do absentismo de cerca de 700 milhões de euros e um impacto pelo aumento da produtividade de 2,6 milhões de euros". "No total destas duas componentes de transmissão dos efeitos do SNS à economia, teríamos um impacto por via dos salários de 3,3 milhões de euros”.

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O trabalho, este ano, foi um pouco mais longe, conseguindo estimar que “estes dias recuperados pelo SNS terão um valor económico para a economia que se aproximará dos 5 mil milhões de euros”

Isto mostra que no ano em que se investe na saúde existe um retorno para a economia que será de 50% do investimento realizado”.

Faltas ao trabalho por cada português

De acordo com o estudo, em média, os portugueses faltaram quase seis dias (5,9) ao trabalho em 2017. Contas feitas, cerca de 2,6% do tempo total trabalhado, o que resultou num prejuízo de 2,1 mil milhões de euros.

No entanto, a prestação de cuidados de saúde através do SNS permitiu evitar a ausência laboral de quase dois dias (1,9). Isso traduziu-se numa poupança de 677 milhões de euros. Ou seja, caso não tivessem sido prestados estes cuidados de saúde o número médio de faltas ao trabalho ascenderia aos 7,8 dias.

Pela primeira vez, este trabalho estimou também o impacto a outro nível, avaliando a redução na produtividade já que quando alguém está doente o seu estado de saúde pode influenciar o desempenho num dia normal de trabalho.

Qualidade, eficácia e preço

Quanto ao índice de sustentabilidade do SNS, que tem em conta critérios como a qualidade (percecionada e técnica), a eficácia e o preço, tal como tinha acontecido no ano anterior, este valor subiu novamente, passando de 102.2 em 2016 para 103.0 no ano passado. “É um pouco mais modesta do que a observada no ano anterior, mas reforça a subida”, disse o coordenador do Projeto de Saúde Sustentável.

“Observámos uma variação positiva assente em duas componentes: a qualidade técnica do sistema (…), que evoluiu muito significativamente, e o deficit, que entre 2016 e 2017 desceu significativamente, na medida em que em 2016 rondava os 300 milhões de euros e em 2017 é de 230 milhões”, acrescentou.

Segundo o estudo, em 2017 as despesas no SNS (9.77 mil milhões de euros) cresceram menos (2,8%) do que o financiamento (9.54 mil milhões), que aumentou 3,2%.

A acompanhar esta tendência está também o índice global do estado de saúde dos portugueses, que dos 73,1 pontos registados em 2016 subiu para 75,6 pontos – numa escala de 0 a 100, em que 100 corresponde ao estado de saúde ideal.

Se a este nível fosse retirado o contributo do SNS, o valor ficaria pelos 60,0 pontos, o que comprova que o SNS contribui fortemente para a perceção do estado de saúde dos portugueses”.