O presidente da República, Cavaco Silva defendeu esta segunda-feira em Barcelos a necessidade de «um diálogo mais aberto e franco entre empresários e trabalhadores para evitar o encerramento de empresas».

«Às vezes, um diálogo aberto entre os empresários e os representantes dos trabalhadores, expondo as condições da empresa, evita o seu encerramento», afirmou, frisando que depois de fechar torna-se muito difícil a reabertura de uma empresa.

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O chefe de Estado falava a um grupo de algumas dezenas de trabalhadores que se juntou à porta da Câmara Municipal de Barcelos com cartazes contra o alegado despedimento ilegal de que foram vítimas nas empresas TOR e Carfer.

Cavaco Silva, que havia acabado de sair de uma reunião com a União de Sindicatos de Braga para debater a situação laboral do distrito, tentou confortar os trabalhadores: «deixo-vos a minha solidariedade, o que é pouco, mas não tenho mais para dar».

«Olhe por nós, pela classe operária, estamos a viver uma situação traumatizante», disse uma das manifestantes, pedindo que «as empresas que despedem funcionários sem razão sejam investigadas».

Na reunião com os sindicatos participaram o secretário de Estado da Segurança Social, Pedro Marques, o presidente da Câmara de Barcelos, Fernando Reis, o presidente do Instituto de Segurança Social, Edmundo Martinho, e o coordenador da União de Sindicatos, Adão Mendes.

Em declarações à Lusa, Adão Mendes disse que o organismo sindical propôs ao Presidente da República um pacote de medidas de apoio à indústria têxtil e da cerâmica do Vale do Cávado: «Precisamos de orientar o QREN para o apoio às empresas».

A União de Sindicatos pretende, ainda, que o Governo crie medidas de apoio social para os desempregados, nomeadamente a criação de postos de trabalho no chamado sector social, e o lançamento de um Observatório do Emprego no qual participem todos os parceiros sociais.

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Pretende, ainda, a suspensão do PEC - Pagamento Especial por Conta, e o pagamento do IVA ao Estado apenas quando as empresas recebem dos clientes.

Os sindicatos de Braga pretendem ainda que o Governo defina um plano de apoio específico à região norte, nomeadamente aos vales do Ave e Cávado.

A deslocação do PR ao distrito de Braga inclui deslocações à empresa de confecções Silsa, de Barcelos - que Cavaco Silva apontou como um «bom exemplo» na conversa mantida com os manifestantes - e ao Banco Alimentar contra a Fome, em Braga.

A iniciativa é a quinta jornada do Roteiro para a inclusão que a Presidência da Republica realiza, dedicado ao desemprego e aos novos riscos de pobreza, e que assinala os seus três anos de mandato.