O candidato a Presidente da República Edgar Silva acusou este sábado o primeiro-ministro António Costa de continuar a “política do antigamente” e a pôr de novo o povo a pagar, por “atos tresloucados” dos grandes capitalistas.

Questionado pelos jornalistas à entrada de um convívio com apoiantes, na Escola Secundária de São Pedro da Cova (Porto), sobre a mensagem de natal de António Costa, que se mostrou confiante num tempo novo e de prosperidade, o candidato do PCP Edgar Silva afirmou que as medidas agora assumidas pelo Governo "não são de um tempo novo, são da velha política, são da política do antigamente e o que menos Portugal agora precisa são das políticas do antigamente, do anterior a 04 de outubro”.

“Precisamos de medidas novas, que sejam de justiça social, que reponham direitos, que permitam reconquistar a dignidade, a esperança e a confiança. Portugal do que menos precisa são medidas à maneira do que o PSD e o CDS vinham a impor a Portugal, à maneira das receitas da 'troika' nacional e estrangeira”, acrescentou o candidato comunista à Presidência da República.


“O que nós vimos na decisão do Governo liderado por António Costa, não trouxe nada de novo, bem pelo contrário, trouxe tudo o que de velho tinha pior o antigo tempo”, disse, revelando-se “apreensivo” com o Governo da “responsabilidade do Partido Socialista” que aprovou essas medidas.

Para Edgar Silva a solução que o Governo imprimiu para a questão do banco Banif “em nada tem a ver com um tempo novo", porque quem continua a pagar é “povo e os trabalhadores”.

“Aqueles que já foram massacrados, aqueles que já foram asfixiados, aqueles para quem a vida já tanto azedou, é sobre esses (…), que vai recair mais este encargo de pagar as loucuras que os grandes capitalistas andaram a fazer em Portugal, para que seja de novo o Estado português a pagar por esses atos tresloucados de irresponsabilidade, da ganância atrás da ganância e da sede do lucro a qualquer custo. Quando foi para ganhar ninguém chamou o povo, pelo contrário”, disse, durante o seu discurso em São Pedro da Cova, uma terra de operariado.

O candidato do PCP pediu ao Governo de António Costa “respostas concretas, mais audazes, mais exigentes, muito mais avançadas para responder aos problemas”.

“Nós queríamos que o recuperar dos direitos, da dignidade, dos rendimentos e dos salários, que têm sido roubados ao povo e aos trabalhadores, fossem plenamente repostos, fossem reconquistados (…) [mas] têm sido sucessivamente usurpados. Nós gostaríamos era de ver medidas audazes, muito avançadas, muito mais exigentes na resposta a esses problemas concretos”.

“Enquanto nós vemos homens e mulheres que morrem nas urgências, porque não têm resposta médica, o que é preciso são respostas na área da Saúde para responder a um Serviço Nacional de Saúde (SNS) que está a ser insuficiente. Os Governos até agora têm cortado nas soluções sociais, têm desresponsabilizado o Estado das suas obrigações na defesa do SNS, que esteja em conformidade com a Constituição da República define num SNS para todas e para todos e que seja tendencialmente gratuito e efetivamente capaz de responder as necessidades".


Edgar Silva deseja que este seja “tempo de um tempo novo”, mas revela “muita preocupação” caso este “tempo novo não seja sobretudo de medidas concretas para responder aos grandes problemas que vivem as portuguesas e os portugueses”, especialmente na área da Saúde.

“Enquanto nós vemos homens e mulheres que morrem nas urgências porque não têm resposta médica o que é preciso são respostas na área da Saúde para responder a um Serviço Nacional de Saúde (SNS) que está a ser insuficiente”, disse, acrescentando que “os Governos até agora têm cortado nas soluções sociais, têm desresponsabilizado o Estado das suas obrigações na defesa do SNS”.


O convívio na Escola Secundária de São Pedro da Cova contou com várias dezenas de apoiantes de Edgar Silva.