Os casos de empresas fraudulentas que se fazem passar por empresas de trabalho temporário são da ordem das dezenas «senão mesmo das centenas». É esta a posição do provedor do trabalho temporário, Vitalino Canas, que, em entrevista à Agência Financeira sublinhou que o perigo está à vista de todos, bastando para tal abrir as páginas dos jornais.

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«Há muitas empresas vão de escada», disse na mesma entrevista, acrescentando que «há anúncios de jornal que são manifestamente empresas ilegais a oferecer emprego». Quanto a números concretos, Vitalino Canas explica que não é possível saber dada a própria natureza ilegal dos mesmos e reconhece que detectar todos os casos implicaria «investigação policial undercover». Mas diz ter conhecimento de que o número de empresas ilegais é aproximado do número das que estão legalizadas.

Trabalho temporário: pedidos de ajuda disparam

Já sobre a prestação da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) no assunto, o também porta-voz do Partido Socialista (PS) elogiou o desempenho e considerou que o reforço a nível de inspectores anunciado permitirá a melhoria da acção de uma entidade «que tem cada vez mais solicitações».

Objectivo: melhorar a imagem

Sobre a criação da figura do provedor, Vitalino Canas reconhece à AF que a ideia surgiu, em parte, da necessidade de melhorar a imagem do sector do trabalho temporário: «As próprias empresas têm a exacta noção de que o sector tem uma imagem relativamente precária junto da opinião pública. Desde logo, porque existem muitas situações de ilegalidade. Existem muitas empresas que não estão licenciadas», sustentou.

No cargo desde Julho de 2007, Vitalino Canas espera melhorar não só a rapidez de resposta das solicitações que lhe chegam, como a sua visibilidade junto dos trabalhadores, que, segundo as últimas estimativas, rondarão os 80 a 100 mil trabalhadores, ou seja cerca de 2% do total da população activa.

Além disso, em cima da mesa, está também a criação de um observatório para melhorar o conhecimento sobre esta modalidade de emprego.