O novo jornal da Sojormedia, um diário publicado de segunda-feira a sábado, deverá chegar às bancas em Maio. Pelo menos essa é a vontade do director do título, expressa em entrevista à agência Lusa.

«Estamos na recta final do projecto, que pode durar até dois meses. Ficaria surpreendido se não fossemos capazes, como equipa, de ter o projecto no ar até ao final de Maio», afirmou Martim Avillez Figueiredo.

O director do projecto acrescenta que não há «pressão dos accionistas [da Sojormedia, a holding do grupo Lena para a comunicação social] para chegar à rua».

O investimento é de 10,4 milhões de euros e começará a ser rentável em cinco anos. Segundo o director, olhando o projecto do ponto de vista do EBITDA [lucro operacional] que este será capaz de gerar a partir de 2013, o «i» poderá ser transacionado por um múltiplo de cinco vezes esse valor. «Isto dá uma ideia da moderação do nosso investimento, já que a média do sector são 11 vezes o múltiplo do EBITDA e o "Diário Económico" foi vendido em 2008 por 17 vezes esse valor», considera Martim, que é ele próprio accionista do projecto com 5%.

3,5 milhões de gastos/ano com pessoal

Por ano, estima-se que o jornal gaste 3,5 milhões de euros com despesas de pessoal.

O «i», nome registado para o título, dirige-se à classe alta, «um público que olha para a informação com rigor e exigência».

O director do novo jornal considera que «há um enorme mercado não preenchido. Temos a certeza que não vamos fazer sumir leitores dos outros jornais».

Este público-alvo passará a ter disponível na Primavera um jornal «com um formato igual ao espanhol "ABC", agrafado, com um papel mais pesado e com menos 35 a 40 por cento de páginas do que os outros jornais». Um diário que «não vai ser mais barato, mas pode custar o mesmo que os outros» e que não terá suplementos, com excepção de uma revista publicada ao sábado e editada por Pedro Rolo Duarte, que nos anos 90 criou o «DNA», um suplementos do «Diário de Notícias».

«Faremos dentro do papel o que os outros fazem em suplemento. Vamos implodir a lógica do leitor imerso em suplementos», garantiu o director do «i».

Secção a secção

De segunda a quarta-feira o jornal terá uma dinâmica, diferente da que terá à quinta, à sexta ou ao sábado, revelou Martim. Mantêm-se, no entanto, ao longo da semana quatro secções, «que não são estáticas»: Opinião, Radar, Zoom e Mais, onde está incluído o desporto.

A Radar é a «zona chave do projecto», a secção onde o leitor fica a «saber o que se passa» e que remete para a Zoom, onde se poderão «perceber» melhor os temas que o jornal escolhe para desenvolver. A Mais será a secção «para sentir» as tendências mais criativas, onde se tratarão de temas de cultura e entretenimento, mas também de desporto.

Não sairá ao domingo

Duas razões levaram a que a equipa que dirige o «i» decidisse não colocar o jornal nas bancas ao domingo. Martim Avillez Figueiredo explica: «77% das bancas estão fechadas ao domingo. Só compra jornais quem os procura. Além disso, para sair ao domingo seria preciso ter mais 33% de pessoas a trabalhar para funcionar sete sobre sete dias. Isso seria absurdo financeiramente».

A equipa do «i» é constituída por 74 jornalistas, «a mais curta e mais bem construída do mercado, com todas as necessidades preenchidas».

Além disso, o «i» estabeleceu ainda um acordo de outsourcing com a revista «Time Out». «A equipa da revista assegura algumas partes do Mais, nas áreas de lazer e entretenimento», conta o director.