Enquanto Portugal vai ganhando terreno em termos de captação de investimento imobiliário, há outras cidades que vão chamando cada vez menos atenção dos investidores europeus. É o caso de Madrid, Barcelona e Dublin.

Esta é uma das conclusões do estudo «Emerging Trends in Real Estate Europe 2009» realizado pela «PricewaterhouseCoopers».

«Tratam-se de cidades com perspectivas especulativas muito fortes, em que os preços subiram muito nos últimos anos, é natural que o interesse agora diminuía, principalmente em países, como Espanha, em que se assistiu a uma grande bolha imobiliária», revela o «partner» da consultora, Jorge Figueiredo à Agência Financeira.

Já cidades como Munique, Hamburgo, Istambul, Zurique, Londres, Moscovo continuam a captar o interesse dos investidores.

«A Alemanha, Suíça e Inglaterra continuam a ser os mercados com maior liquidez. Quanto a Istambul e a Moscovo são cidades que apresentam um grande potencial de crescimento a médio e a longo prazo», refere o responsável.

Crédito mais difícil

De acordo com o relatório, os investidores, promotores e banqueiros reconhecem que o ano de 2009 vai ser um ano «muito difícil» em toda a Europa.

«O capital para o imobiliário vai continuar a estar pouco disponível, quer nos mercados de capitais, quer nos de crédito, e existe uma incerteza real quanto ao momento em que a situação se vai reverter. Ainda não está claro se o mercado está à espera que os preços subam ou se as razões são mais estruturais», acrescenta o documento,

A esmagadora maioria dos inquiridos refere que ainda que é «impossível obter novos créditos e que vai continuar a ser difícil em 2009».

Desta forma, «os compradores estão a olhar para estratégias alternativas para se manterem numa transacção, nomeadamente através de instrumentos como o financiamento do vendedor (seller financing) ou falando com o actual credor», salienta o estudo da consultora.

Aliás, as perspectivas, de acordo com os investidores, a actual crise dos mercados de capitais imobiliários pode transformar-se numa crise de ocupantes.

«O crescimento económico continuou a decrescer na Europa em 2008 e esta tendência vai manter-se este ano. Mesmo os países com crescimento mais rápido vão enfrentar quedas na produção ao longo do ano e espera-se que isso venha a influenciar negativamente a procura, com o correspondente aumento das vagas, com as rendas a estagnarem ou mesmo a sofrerem uma correcção», conclui o documento.