Os mercados começaram a semana com o pé esquerdo. A crise económica continua a ensombrar qualquer optimismo e os resultados empresariais não ajudam a melhorar o sentimento. Lisboa não foi excepção.

O sector financeiro foi um dos grandes responsáveis pelo regresso em força das perdas. O maior banco europeu, o HSBC, registou uma queda de 70% nos lucros de 2008, vendo-se obrigado a anunciar um aumento de capital de mais de 14 mil milhões de euros para fazer face à crise e ainda mais de 6 mil despedimentos.

Do outro lado do Atlântico, mais notícias negativas no sector financeiro vieram agravar ainda mais o pessimismo. A AIG registou o pior resultado de sempre no quarto trimestre de 2008, uma perda de 49 mil milhões de euros. O Governo norte-americano viu-se obrigado a ajudar a seguradora com mais 24 mil milhões de euros, para evitar o seu colapso. A AIG presta serviços a cerca de 100 mil entidades e teme-se que a sua derrocada arraste outras empresas e crie dificuldades em milhares de outras entidades, ou seja, é de interesse sistémico.

Em Lisboa, o sector financeiro também foi dos mais penalizados. O BPI cedeu 5,4% para 1,40 euros. O BCP, perto do final da sessão, atenuou as perdas e acabou a ceder apenas 0,16% para 0,64 cêntimos. O BES recuou 0,97% para 4,60 euros.

Telecomunicações e energia em queda

Mas também as telecomunicações e a energia ajudaram a pressionar a praça. A PT recuou 3,47% para 6,23 euros, mesmo depois da Espírito Santo Research (ESR) ter revisto em alta a avaliação atribuída aos títulos da operadora de 7,30 euros para 7,40 euros.

No mesmo sector, a Sonaecom esteve entre as maiores descidas do índice, tendo baixado 5% para 1,05 euros. A ZON Multimédia também deslizou 3,18% para 3,66 euros.

Do lado da energia, a EDP recuou 2,27% para 2,45 euros e a Galp 1,21% para 8,64 euros, a acompanhar a queda dos preços do petróleo nos mercados internacionais. Recorde-se que a Espírito Santo Research (ESR) prevê que a EDP tenha registado lucros de 1,057 mil milhões de euros referentes no ano passado.

A merecer ainda destaque, pela negativa, a Sonae SGPS caiu 2,69% para 0,43 euros.

Mercados externos perderam ainda mais que Lisboa

O PSI20 conseguiu mesmo assim um dos melhores comportamentos da Europa, onde o FTSE inglês desceu 5,33%, o CAC francês 4,48%, o DAX alemão 3,48% e o IBEX espanhol 4,6%.

Nos EUA, os indicadores macroeconómicos contribuíram para a desmotivação dos investidores. Os gastos em construção desceram 3,3% em Janeiro e o índice de actividade manufactureira, apesar de ter melhorado, continua em valores que traduzem a recessão. O aumento de 0,6% nos gastos dos consumidores em Janeiro, o primeiro em oito meses, deveu-se aos saldos pós-natalícios e os analistas não acreditam que se trate de uma inversão de tendência. O Dow Jones caiu, pela primeira vez em mais de 11 anos, para menos de 7 mil pontos. Segue a cair 3,15% e o Nasdaq 3,14%.