O presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Faria de Oliveira, mostrou-se esta quinta-feira incomodado com as dúvidas levantadas em torno do negócio feito entre a Caixa e o empresário Manuel Fino, que levou à compra pelo banco de 9,58% da Cimpor.

«O que me fez muita confusão foi tanto por em causa o comportamento da CGD sem se saber os contornos da operação, sem se conhecerem os meandros da negociação. Pôs-se em causa a seriedade das pessoas e o seu rigor. Tanta dúvida levantada, faz-me confusão», afirmou, na conferência de imprensa de apresentação de resultados da Caixa.

Em causa está o facto de a CGD ter comprado a Manuel Fino uma posição no capital da Cimpor, devido à desvalorização das garantais apresentadas pelo empresário nos empréstimos contraídos por Manuel Fino para comprar acções.

O presidente da CGD garante que este foi o melhor negócio possível, dadas as circunstâncias.

«A situação que vivemos é de profunda anormalidade, a quebra do mercado de acções implicou um conjunto de problemas. Era preciso resolver este problema e as alternativas eram negativas para a Caixa, esta era a única solução viável», disse, reiterando que a operação respeitou as «práticas rigorosas» da banca.

«Era a negociação possível entre as partes e que correspondeu aos nossos objectivos fundamentais. Foi o que devia ser feito na defesa dos interesses da instituição, dos depositantes e do accionista», concluiu.

Mais negócios semelhantes?

A Caixa não afasta a possibilidade de realizar negócios semelhantes ao alcançado com Manuel Fino, com outros empresários.

Questionado sobre esta possibilidade, por exemplo, em relação a Joe Berardo, prejudicado pela queda das acções do BCP, a cuja compra se destinava o empréstimo contraído pelo empresário madeirense junto do banco público, o presidente da Caixa não afastou a ideia.

«Se continuar a deterioração do valor das acções, os problemas agravar-se-iam. O Conselho de Administração da Caixa procurará resolver estes problemas salvaguardando os interesses do banco e permitindo aos clientes uma solução mais favorável possível, sem chegar a extremos (execução das garantias), que é sempre o último dos últimos meios», limitou-se a responder.