A economia portuguesa registou uma contracção de 1,8% no quarto trimestre de 2008, depois de ter crescido 0,4% no terceiro trimestre. Com isto, no conjunto do ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) estagnou face a 2007, quando tinha crescido 1,9%.

Em termos nominais, o PIB ascendeu a 166.127,6 milhões de euros em 2008, traduzindo-se num aumento de 1,8% face ao ano anterior.

«Este comportamento resultou, sobretudo, do intenso contributo negativo da procura externa líquida para o crescimento do PIB, de 1,1 pontos percentuais, mas também da desaceleração da procura interna, que passou de uma variação de 1,6% em 2007 para 1% em 2008. Em termos nominais, o PIB ascendeu a cerca de 166 mil milhões de euros», explica o Instituto Nacional de Estatística (INE).

Exportações passam de crescimento de 7,5% a queda de 0,5%

O contributo negativo da procura externa líquida resultou da diminuição de 0,5% nas Exportações de Bens e Serviços, que tinham crescido 7,5% no ano anterior, enquanto as Importações de Bens e Serviços registaram uma variação positiva, crescendo 2,1%, mas inferior ao ano anterior (5,6%).

As Importações de Bens e Serviços, reflectindo uma procura interna menos dinâmica, abrandaram significativamente, passando de uma variação de 5,6% em 2007 para 2,1% em 2008.

Em termos nominais, o défice da Balança de Bens e Serviços agravou-se, passando de -7,3% do PIB em 2007 para -9,4% em 2008, devido «a uma deterioração dos termos de troca em 2008, em consequência dos elevados preços registados para diversas matérias-primas (nomeadamente petróleo)».

Investimento trava crescimento da procura interna

O Investimento foi o principal responsável pela desaceleração da procura interna, diminuindo 0,1% em 2008, após ter crescido 3,2% no ano anterior. A Construção foi determinante nesse sentido, registando uma diminuição de 5,8% em volume, que se traduziu num contributo negativo de 0,6 p.p. para a variação do PIB. O investimento em Material de Transporte desacelerou fortemente, passando de um crescimento de 10,6% em volume em 2007, para uma variação de 0,9% em 2008. Também a rubrica Máquinas e Equipamentos desacelerou, passando de uma variação de 7,3% em 2007 para 4,9% em 2008.

No que toca às Despesas de Consumo Final das Famílias Residentes, cresceram 1,6% em volume em 2008, o mesmo resultado alcançado no ano anterior, impulsionado pela componente de bens não duradouros e serviços (1,9% em 2008, face a 1,3% em 2007).

As Despesas de Consumo Final das Administrações Públicas registaram um aumento de 0,5% em 2008 (variação nula em 2007).

Emprego aumentou 0,4% mas produtividade diminui

O emprego total para o conjunto dos ramos de actividade da economia, corrigido de sazonalidade, aumentou 0,4% em 2008, o que compara com a variação nula registada no ano anterior. Tendo em consideração a variação nula do PIB para o conjunto do ano 2008, o INE identifica uma diminuição da produtividade do trabalho (medida tomando como referência o número de indivíduos).

Olhando apenas para os últimos três meses do ano, a economia contraiu 1,8% face ao homólogo de 2007 e 1,6% face ao trimestre anterior. São valores que, tomando como referência a Estimativa Rápida anteriormente divulgada para o 4º trimestre de 2008, as taxas de crescimento homólogo e em cadeia do PIB foram revistas em alta, 0,3 p.p. e 0,4 p.p., respectivamente. A procura interna contraiu-se 1,2% face ao homólogo, com o investimento a recuar 8,7%. O consumo privado cresceu 1,1%

O contributo da procura externa líquida para a variação homóloga do PIB foi negativo, mas menos intenso do que no trimestre anterior, fixando-se em -0,5 p.p., depois de as exportações terem registado uma forte diminuição homóloga (-8,9% em volume). As Importações de Bens e Serviços diminuíram 5,9% diminuíram 5,9%.