As cinco maiores cadeias de distribuição em Portugal representam 64% do mercado total, revela um estudo encomendado pela Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição (APED) à consultora Roland Berger, apresentado pelas duas entidades esta segunda-feira em conferência de imprensa.

Uma quota que a associação do sector considera ainda baixa, tendo em conta que a maioria dos países da Europa do Norte e do Leste apresentam percentagens mais elevadas. O caso mais extremo é o da Suécia, onde atinge os 91%.

Em Portugal, a Sonae (que detém a Modelo Continente) é quem lideram com 21% de quota (já após a compra do Carrefour), seguindo-se a Jerónimo Martins (dona do Pingo Doce e Feira Nova), com 16% do mercado (contando já com a cadeia Plus).

Crise: distribuição abre dezenas de lojas e cria emprego

Ainda entre os cinco maiores está o grupo Os Mosqueteiros (que detém o Intermarché), com 11%, o grupo Auchan (dono do Jumbo) com 8% e finalmente a cadeia Minipreço, cuja quota ascende a 5%.

Mas a tendência «não aponta para uma maior concentração», garantiu o presidente da APED, José Silva Ferreira, «novos movimentos de concentração não são previsíveis».

Cada hipermercado serve 139.074 habitantes

Portugal apresenta, além de uma concentração, também uma densidade de estabelecimentos de retalho moderno abaixo da média europeia. Em Portugal, cada hipermercado serve 139.074 habitantes (a média da EU é de apenas 53.517), cada supermercado, discounter ou loja de conveniência serve 3.242 (acima dos 2,015 habitantes que constam da média europeia).

Para atingir a média europeia, Portugal precisaria de abrir mais 117 hipermercados e 1.875 supermercados e discounters.

Empresas de distribuição apostam em marcas próprias

Crise passa ao lado da distribuição

Pelo contrário, no comércio tradicional, cada loja serve 518 habitantes, quando na Europa, a média é de 1.358).

Grandes cadeias de distribuição contribuem para travar preços

As grandes cadeias de distribuição, conhecidas como de distribuição moderna, contribuem para evitar que o custo de vida suba mais em Portugal. Esta é uma das conclusões do estudo da Roland Berger, que incide no período 2003/07.

De acordo com os dados do mesmo estudo, «os preços dos produtos alimentares vendidos através da distribuição moderna cresceram em média menos que aqueles onde este formato tem menor peso». Aliás, avança a Roland Berger, «os preços médios das principais classes de produtos alimentares dominadas pela distribuição moderna registaram aumentos inferiores à inflação».

Sector investiu 1,4 mil milhões e teve impacto de 13,6 mil milhões de euros

Outro dado retirado do estudo da consultora é que «a entrada da distribuição moderna no comércio de medicamentos gerou benefícios significativos para o consumidor, que se traduzem em preços cerca de 11% inferiores aos das farmácias».

Nos cinco anos analisados no estudo, a distribuição alimentar investiu 1.461 milhões de euros, em resultado da abertura de 321 lojas. O desenvolvimento do sector gerou 13.600 milhões de euros, dos quais 8,44 mil milhões em receita fiscal. No mesmo período foram criados 15.600 postos de trabalho.