Foi mais uma sessão negra para os mercados. O sector financeiro continua a pressionar e aos maus resultados empresariais juntaram-se esta quinta-feira vários dados económicos negativos.

A descida de 50 pontos base na taxa de juro de referência do Banco Central Europeu (BCE), para 1,5%, o valor mais baixo de sempre, teve pouco impacto nos mercados, até porque já era esperada e foi sendo descontada antes da descida.

Mais impacto acabou por ter a revisão em baixa das previsões do banco central para a economia europeia. Em vez de 0,5%, o BCE espera agora que a economia europeia se contraia pelo menos 2,2% mas diz que o valor pode mesmo ir até aos 3,2%.

Outro factor que ajudou a penalizar as praças foi o facto de a China ter decidido não avançar com um novo plano de estímulo à economia.

Tudo somado, assustou os investidores, que já não vêm luz ao fundo da crise. Na Europa, os mercados encerraram em forte queda. O IBEX espanhol cedeu 4,51%, o DAX alemão 5,02%, o FTSE inglês 3,18% e o CAC francês 3,96%.

Em Lisboa o índice PSI20 caiu 1,2% para 5.748,94 pontos. O sector financeiro e o da energia estiveram em destaque.

BCP no valor mais baixo de sempre

O BCP registou o valor mais baixo de sempre, nos 56 cêntimos por acção, depois de a Merrill Lynch ter indicado este valor como preço-alvo das acções do banco. A instituição tem sido penalizada pela crise financeira e pela queda dos mercados, que fizeram com que os seus activos perdessem valor. Só este ano, o banco já perdeu 30% do seu valor em bolsa, ou seja, cerca de mil milhões de euros de capitalização bolsista.

O negócio na Polónia é um dos factores citados pelos analistas para cortarem a avaliação do banco. O Bank Millennium, controlado pelo BCP, caiu cerca de 50% em bolsa este ano, depois de outra desvalorização de 75% no ano passado.

Mesmo assim, perto do final da sessão, o BCP conseguiu recuperar algum terreno e fechou em baixa ligeira, de 0,5% para 0,60 cêntimos.

No mesmo sector, o BPI caiu 2,86% para 1,36 euros, enquanto que o BES, em contra-ciclo, fechou em alta de 1,91%, para 4,80 euros, impedindo maiores perdas na praça nacional.

EDP com maior lucro de sempre

Na energia, o destaque do dia, pela negativa, foi para a EDP. A empresa apresentou resultados já depois do fecho do mercado, tendo lucrado 1,091 mil milhões de euros em 2008, mais 28% que em 2007. Este foi o lucro mais elevado alguma vez registado por uma empresa cotada em Portugal. As acções da empresa caíram 3,57% para 2,35 euros. Também já depois do fecho das negociações, a EDP anunciou ter contratado uma linha de crédito de 1,6 mil milhões de euros e a titularização de direitos relativos a ajustamentos tarifários extraordinários, que lhe permite encaixar mais de 1.200 milhões de euros.

Já a Galp, que chegou a pisar terreno positivo, encerrou estável nos 8,40 euros. A empresa apresentou quarta-feira os resultados de 2008, sendo que os lucros atingiram 478 milhões de euros, uma subida de 14,2% em relação ao período homólogo.

Notas de destaque ainda para a Jerónimo Martins, também afectada pelos negócios na Polónia, que cedeu 3,56% para 3,12 euros, e para a Sonae, que perdeu 0,67% para 45 cêntimos.

Nas telecomunicações, o destaque vai para a PT, que escapou à onda negativa e subiu 0,16% para 6,10 euros.